42 anos de dipanda: O que falta saber?

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Começo por saudar o aniversário da Independência, para a qual tanto dei da minha vida. Esta data foi comemorada, agora, num clima político diferente do ano anterior, num contexto que já tenho abordado em crónicas anteriores.

Alguns cronistas referiram-se ao acontecimento, lembrando que, actualmente, as gerações recentes comemoram sem terem a noção do que foi o árduo caminho para se chegar aqui. Por outro lado, em geral, a informação que têm disponível é parcial, partidária e omissa ou deturpadora de factos, feitos e protagonistas.

E eu direi que tem sido assim desde os tempos do duro e sofrido combate armado pela independência. Porém, desde já há alguns anos, há iniciativas (entre elas publicações de livros) que têm vindo a revelar diferentes aspectos da luta, do acesso à independência e do país independente e a fornecer materiais históricos que preenchem omissões e corrigem ou ajudam a corrigir deturpações. Assim, alguns dos indivíduos proscritos pela ditadura implantada em 1975 (transformada em 1991 em regime pluripartidário) já podem ser “ouvidos” porque têm coisas a contar e porque as novas gerações desconfiam das versões oficiais, oficiosas ou servis. Para isso contribuíram e contribuem a resiliência desses outrora proscritos, as iniciativas como a Associação Tchiweka, a lucidez de vários intelectuais que ensinam nas universidades angolanas ou escrevem em certos órgãos de comunicação onde vêm fazendo vários questionamentos.

Testemunho liminar do que afirmo é o artigo de Nok Nogueira no Novo Jornal de sexta-feira passada e a entrevista que faz a Jaka Jamba em que este analisa com assertividade o acesso à independência, na sequência da revolução portuguesa de 25 de Abril de 1974 que abriu o caminho à política e processo de descolonização empreendido pela metrópole colonial e que, no caso de Angola, desembocou nos Acordos de Alvor assinados em Portugal para a outorga da independência. Nok Nogueira, nesse mesmo jornal, no seu artigo intitulado Quarenta e dois anos de omissões e silêncios, insiste sobre a necessidade de se conhecer a verdadeira história do processo da nossa luta de libertação, acesso à independência e período subsequente.

Transcrevo reduzidas passagens desse texto para exemplificar: (…)a independência proclamada a 11 de Novembro de 1975 é a mãe de todos os questionamentos que se seguiram ao fracasso dos Acordos de Alvor (…) precisamos de começar a contar a verdadeira história, não a história dos factos que queremos dar a ouvir ou impingir aos angolanos (…) São 42 anos de omissões, alimentadas por um conjunto de inverdades, por hiatos de informação assustadoramente gritantes. No mesmo grau de exposição está a ignorância de uma geração que cresce no entusiasmo dos tempos modernos, excitadíssima com a ideia de terem herdado um País independente, sem no entanto saberem o que verdadeiramente custou esta liberdade(…)

Nestes 42 anos de Dipanda, é gratificante ver tais  posturas e verificar como o país tem gente tão capaz para impulsionar as necessárias mudanças de mentalidade e de opções neste tempo em que sopram aragens de mudança.  

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