Açorianos são os que mais se divorciam em Portugal

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Os Açores tinham em 2016, juntamente com a Madeira, a mais elevada taxa de divórcios entre as sete regiões do país, com 2,6 divórcios por cada mil habitantes, quando a média nacional é de 2,2 e as taxas mais baixas foram verificadas no Centro e no Alentejo, com 2 divórcios por cada mil habitantes.

Em 2016, realizaram-se 635 divórcios na Região e desde 2011 que os Açores têm a mais elevada taxa de divórcios do país. Somente em 2016, os Açores foram acompanhados pela Madeira na taxa mais alta.

Os dados do Instituto Nacional de Estatística são os mais recentes disponíveis e revelam que o casamento começa a deixar de ser entendido e vivido segundo a concepção tradicional de uma união para toda a vida. Além disso, a emergência de formas de relacionamento como a união de facto revelam que muitas pessoas já se juntam no pressuposto que mais facilmente se poderão separar, sem terem de passar pelo processo de divórcio.

“Esta ideia de uma relação enquanto der e quando deixar de dar é dissolvida, é um conceito actual e que contrasta com a ideia do casamento para a vida “, refere em declarações ao Açoriano Oriental, a socióloga Piedade Lalanda.

Também a assunção cada vez maior da violência doméstica como algo intolerável num casamento é um factor relevante para o número elevado de divórcios que actualmente se verifica.

Piedade Lalanda lembra que em 2003 registaram-se 1541 casamentos nos Açores, um número que baixou para 922 casamentos em 2016. A socióloga refere ainda que enquanto em 2003, a taxa de nupcialidade era de 6,4 casamentos por mil habitantes, em 2016 esta taxa já tinha baixado para 3,8.

Aliás, nos casamentos, tal como nos divórcios, os Açores também estão bem acima da média nacional que é de 3,1 casamentos por mil habitantes, mas neste caso foram superados em 2016 pelo Algarve, que teve uma taxa de nupcialidade de 3,9.

E desde 2011, tal como nos divórcios, foram sempre também os Açores, juntamente com o Algarve, a liderar a taxa de nupcialidade no país, embora a liderança dos Açores seja mais destacada na taxa de divórcios do que na taxa de nupcialidade.

A diminuição do número de casamentos nos Açores revela também a emergência de novas formas de vivência conjugal, como é o caso da união de facto ou mesmo das relações afectivas em que os dois parceiros não vivem a tempo inteiro no mesmo espaço.

A socióloga Piedade Lalanda refere que “o fenómeno da união de facto em Portugal foi mais tardio, mas desde a última década se verifica um aumento significativo das uniões de facto “. E refere ainda que, actualmente, ” a decisão de viver conjugalmente pode acontecer sem a formalidade do casamento e muitas vezes a decisão de casar é posterior ao nascimento de um filho “.

Fonte : Açoriano Oriental.

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