Ajuda do FMI sim, mas… barbas de molho!…

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Angola, face à difícil situação económica e financeira que o Pais atravessa – e já há uns anos, principalmente desde a queda do preço do barril de crude – anunciou no passado dia 18 deste mês, recorrer ao FMI para uma assistência financeira, visando uma melhor coordenação de políticas económicas, sem, todavia, prever recorrer a qualquer envelope financeiro associado. Ora, nós sabemos que as ajudas do FMI são bem-vindas, mas… convém sempre pôr as barbas de molho

Recordemos que, em Outubro de 2017, Angola já tinha previstoir à ajuda FMI”, quando o Ministro das Finanças, Archer Mangueira, numa entrevista nos EUA, admitiu poder vir a solicitar ajuda financeira, ou mais concretamente, uma assistência financeira, ao FMI (Fundo Monetário Internacional – o tal do sistema capitalista que não ajuda, mas asfixia…) através dos chamados “Extended Fund Facility (EFF) ou Programa de Financiamento Ampliado” para precaver, como o Ministro explicou, “(…) um conjunto de domínios em que reconhecemos necessitar de reforçar as nossas capacidades técnicas e de desenho de políticas”.

Todavia, o Ministro também adiantou que isso só em último caso seria posto em equação e em prática. É que os angolanos sabem que as ajudas do FMI são bem-vindas, mas… devemos sempre pôr as barbas de molho

Por certo que o MPLA e os seus sucessivos governos devem se recordar que a equação FMI e BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, vulgo Banco Mundial (BM), que acompanha, quase sempre, estes acordos financeiros) contém, sempre, condições leoninas que, nem sempre, tanto os Países – leia-se Povo – como os Governos (leia-se, por causa do Povo) estão em condições políticas de poderem acolher sob pena, e como se recorda, o FMI exige, sempre uma necessária [– diria, enorme –] distribuição dos sacrifícios”.

E, como se sabe e a crise económica e financeiro do País isso o induz, apesar de serem muito bem-vindas,devemos sempre pôr as barbas de molho

Ora, não esqueçamos que, em Abril 2016, o então Governo de José Eduardo dos Santos tinha sondado com o FMI uma eventual assistência financeira, até um montante próximo dos 4,5mil milhões de USD para fazer face ao baixo preço do crude e refinanciamento do Orçamento de Estado (OE), que, depois e sem qualquer explicação, rejeitou; o que, diga-se, terá sido muito mal recebido nos escritórios da 1900 Pennsylvania Ave NW, Washington, DC.

E, talvez por isso, o FMI, ao contrário do que o Governo do senhor Presidente João Lourenço está a equacionar, avisa que, apesar do Ministro Mangueira afirmar que o o programa em causa é instrumento de Coordenação de Políticas Económicas (Policy Coordination Instrument – PCI), ou talvez por isso, mesmo, uma assistência financeira e, como tal, “atingem o mesmo padrão que se impõe às políticas mo âmbito de um acordo de empréstimo do FMI”; traduzindo, FMI exige, sempre uma necessária [– diria, enorme –] distribuição dos sacrifícios e, apesar de muito bem-vindas,… devemos sempre pôr as barbas de molho

É que este pedido, apesar dos sucessivos empréstimos servira para, conforme apresenta o comunicado governamental, auxiliar “(…) na implementação das medidas contidas no seu Programa de Estabilização Macroeconómica, iniciado em janeiro do corrente ano, assim como servirá para o crescente aumento da credibilidade externa do nosso país com efeitos positivos na captação de Investimento Direto Estrangeiro”.

E, segundo últimas notícias, os investidores estrangeiros, de acordo com um relatório da Control Risks, veem Angola como tendo um grande potencial para explorar (VPN 10.Abril.2018). Daí que o recurso ao FMI é muito bem-vindo, masé, também, apropriado, sempre pôr as barbas de molho

Conquanto, devemos sempre pôr as barbas de molho porque o FMI afirma e recorda que qualquer apoio prestado pelos condóminos da 1900 Pennsylvania Ave NW. Apesar de não implicar eventuais recursos financeiros destes, é exigido sempre uma necessária [– diria, enorme –] distribuição dos sacrifícios”.

Por isso, é que os Governos procuram sempre ir bater a esta porta só quando a situação entrou em total – ou quase total (os portugueses, e não só, que o digam)ruptura.

De facto, um apoio do FMI/BM é muito bem-vindo, mas… é, também, conveniente pôr sempre as barbas de molho

*Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e Pós-Doutorando da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto**

** Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado

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