Política

Angola: Chefia bicéfala cada vez mais inviável

A crise de bicefalia que afecta o MPLA (João Lourenço sucedeu a José Eduardo dos Santos na presidência do país mas este manteve-se líder do partido governamental) parece estar longe do fim e tende a agravar-se.

Na semana passada o ex-Presidente faltou ao acto de investidura do novo Conselho da República, de que é membro. O livro de posse teve de ser levado a sua casa para que o assinasse.

“É a primeira vez em 38 anos que [dos Santos] não é o número um e passa do estatuto de nomeador ao de nomeado, mas com a sua ausência demonstrou sentir-se diminuído”, disse um ex-colaborador. Eduardo dos Santos já faltara à cerimónia de cumprimentos de fim de ano. “Não está disposto a ser tratado como ex-Presidente, mas a falta de humildade traduz a menoridade do seu comportamento”, disse ao Expresso o sociólogo Eugénio Feliciano.

Ambrósio Lukoki, crítico da governação de Eduardo dos Santos, fala de “bailado de egos” e acusa o ex-dirigente de se comportar como “um menino mimado e complexado, que, ao não respeitar os outros, arrisca-se cada vez mais a não ser respeitado”.

José Eduardo dos Santos assistiu, nos últimos dias, ao fim inglório de um dos seus aliados regionais, o sul-africano Jacob Zuma, acusado das mesmas práticas, que ensombram a sua própria governação (corrupção). Por outro lado, João Lourenço preside à comissão da reforma do Estado, cuja dinâmica “esvazia” o papel do secretário do bureau político do MPLA, Carlos Feijó, nomeado por Eduardo dos Santos.

Carlos Feijó continua, porém, a olear a máquina partidária. Apoiante seus insistem agora no cumprimento do mandato do líder do MPLA, até 2020. Além de ter formado novo secretariado distante de João Lourenço, José Eduardo dos Santos contratou peritos portugueses e brasileiros em marketing.

Isabel dos Santos não vai gerir MPLA

A próxima reunião do comité central do MPLA, a 26 de março, deve ser decisiva para forçar a convocatória de um congresso. “O país não aguenta mais ficar refém deste modelo bicéfalo de governação”, adverte fonte da bancada parlamentar do MPLA.

Adeptos de João Lourenço, encorajados por um abaixo-assinado a exigir a saída de Eduardo dos Santos, poderão submeter o assunto a uma votação secreta.

José Eduardo dos Santos afastou, entretanto, receios de que fosse colocar os activos do MPLA sob a gestão da sua filha Isabel dos Santos. “Não está interessada”, terá dito a Carlos Feijó, que garantiu a permanência de Mário António à frente da Gefi (a holding do MPLA).

“Isabel dos Santos não quer porque as empresas estão quase todas falidas”, reage um conhecedor do universo empresarial do MPLA.

Fonte: Expresso.

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