Angola dita quebra de 97% do lucro do BPI em 2017

O BPI registou uma quebra de 97% dos lucros e há uma grande responsável: a participação no Banco de Fomento Angola (BFA). Um total de 320 milhões de euros de impactos não recorrentes relativos a Angola levou a perdas de cerca de 111 milhões do BPI nas operações internacionais. Em Portugal, o resultado positivo gerado foi de quase 122 milhões. Restaram, portanto, 10,2 milhões de euros em lucros.

Já se sabia, desde o arranque de 2017, que a venda do controlo do BFA a Isabel dos Santos teria um impacto negativo no BPI de 212 milhões de euros devido ao tratamento contabilístico. O que não se sabia é que, no final do ano, haveria dois ajustamentos adicionais a pressionar, acrescentando perdas de 107 milhões.

Em primeiro lugar, houve uma provisão prudencial feita recentemente pelo BFA, que tem um impacto de 38 milhões de euros. Pablo Forero, Presidente executivo do BPI defende que se tratou de uma decisão de gestão do banco, recusando qualquer intervenção do regulador angolano no tema.

Em segundo lugar, “as firmas internacionais de auditoria tomaram a decisão de considerar, para 2017, Angola como uma economia de alta inflação, e as empresas que fazem e têm investimentos em Angola têm de mudar a forma como a contabilidade é feita”, explicou Pablo Forero. O BFA ainda está a fazer os cálculos, mas o BPI já registou um impacto de 69 milhões.

José Pena do Amaral, administrador do BPI, esclareceu que estes são impactos não recorrentes. Não é por terem ocorrido em 2017 que se vão repetir no futuro. “Não alteram a natureza da relação com o BFA, nem a qualidade da participação “, disse. A questão da alta inflação não é nova para Angola e para o BPI, frisou, e a provisão adicional do BFA é, relembrou, uma decisão da gestão daquele banco, onde BPI deixou de ter uma palavra.

Mas é certo que o futuro será sempre diferente do passado, onde o BFA tinha uma palavra determinante e positiva nos resultados do BPI. A recomendação do Banco Central Europeu para que a posição de 48,1 do BPI no BFA seja reduzida mantém-se em cima da mesa. No banco português, “a intenção é reduzir “. Sem prazos nem pressas, mas com uma certeza: “Temos de fazer o que o supervisor diz”.

Angola não foi a única causa para a quebra dos lucros. As saídas de pessoal, com reformas antecipadas e rescisões voluntárias, custaram 78 milhões de euros, parcialmente mitigadas com a mais-valia de 9 milhões pela venda do BPI Vida e Pensões ao CaixaBank.

É nas contas de 2018 que sentir-se-ão as restantes transacções já anunciadas, em que o BPI vende os negócios de gestão de activos e de emissões de cartões ao accionista espanhol, com uma mais-valia esperada de 164 milhões de euros.

Em termos de capital, a venda de 2% do BFA, a operação que libertou o impasse que deu o controlo do BPI ao CaixaBank em 2016, foi mais do que compensada pela venda do BPI Vida.

Fonte: Jornal de Negócios.

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