Angola e Portugal, uma relação agridoce

É secular a relação existente entre Angola e Portugal.

Esta relação combina sua transversalidade em uma multiplicidade de sectores e entrelaça-se num emaranhado de circunstâncias, que vão desde o profissional ao familiar, do linguístico ao cultural e do oficial ao particular.

De quanto em quanto, porém, estas relações esbarram em circunstanciais entraves, na maioria das vezes promovidos pela classe política dos dois Países.

São vários os “irritantes” que ao longo dos anos e em variados momentos históricos foram aparecendo e desaparecendo, dando uma tónica dominante na transversalidade da relação entre os dois Países. Confesso que pessoalmente, tenho dificuldades em perceber os moventes destes mesmos “irritantes” que têm posto em causa a relação e a vida de milhões de pessoas de um lado ao outro, ligados por laços ao quanto indissolúveis.

O Primeiro Ministro António Costa, em ocasião de sua última visita à Angola, em Setembro de 2018, afirmara que a relação entre os dois Países é intensa e marcada por paixão, e como tal, são também emotivas. Este particular, no entender de António Costa, intensifica a latência dos momentos vividos, o que é bom quando se vive um bom momento, mas que se pode transformar também em “irritantes” difíceis de lidar, quando o momento não é dos melhores. No entanto é incondicional a sensação da existência de uma relação única entre os dois povos, talvez com intensidade ímpar no cenário do concerto das nações, por razões dos laços individuais centenários estabelecidos entre os dois povos. Este reconhecimento vem quer da classe política, assim como da sociedade civil no geral.

Entretanto, as consequências dos aborrecimentos mútuos, estrangulam e “aborrecem” a vida de milhões de pessoas, tanto de um lado como de outro, quando isto ocorre, não faltam os debates públicos e de bastidores, a favor de um ou de outro, com argumentações legítimas ou menos, colhendo defensores e críticos de um argumento ou de outro.

A graça é que depois destes conturbados momentos, as águas sempre acabam por assentar-se e as relações normalizam. Porém olhando para traz, ficam os estragos dos “irritantes” na vida do pacato cidadão, que nada têm haver com os desentendimentos dos “Graúdos”, mas que é obrigado a pagar a “factura mais alta”, vendo esfumado o intento de ordinários expedientes, desde vistos, documentações e processos vários, para ver seus intentos profissionais, de saúde, familiares, de formação e outros, anulados, adiados ou postergados pelas “zangas das comadres”.

Deverá sempre ser assim?

Será possível impedir a relação de laços tão enraizados?

Existe algum retorno positivo nestes braços de ferro?

Estas e muitas outras perguntas se colocam, por isso, sinto-me no dever de deixar algumas dicas a um e a outro.

Portugal que deixe de julgar Angola sua colónia e incapaz de conduzir o próprio destino e Angola que abandone a mania da perseguição e da vitimização de seus insucessos.  

Viva Angola e o seu povo!

Viva Portugal e o seu povo!

Sónia Cassule é editora de Política e Sociedade da Vivências Press News.

Deixe o seu comentário