Mudanças pós-congresso agitam cenário político

O afastamento do ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares é considerado o mais acertado dos rumores acerca das “mudanças pós -congresso” que circulam em meios políticos de Luanda. Está na mesma linha a nomeação de Fernando Garcia Miala para o cargo de chefe da Casa de Segurança do PR.

Já os rumores sugerindo o afastamento do ministro da Defesa, Salviano Sequeira “Kianda”são dados como pouco consistentes, em razão da confiança pessoal e política de que o mesmo goza da parte do Presidente João Lourenço.

A intenção antes atribuída a João Lourenço de substituir o ministro das Finanças, Archer Mangueira, tendo em conta o facto de ter sido um dos governantes impostos por José Eduardo dos Santos, na sua qualidade de líder do partido, aparenta, porém, ter-se esbatido em razão do seu desempenho do cargo, mas também ao facto de se ter devido à sua acção o deslindamento do caso dos 500 milhões de dólares alegadamente descaminhados por Filomeno dos Santos “Zenú” na sua qualidade de PCA do Fundo Soberano.

Pedro Sebastião, actual chefe da Casa de Segurança do PR, é apontado como o mais provável substituto de Ângelo da Veiga Tavares no ministério do Interior, embora também seja de igual forma aventado o nome de Eugénio Laborinho, actual governador de Cabinda. Ambos mantêm com o Presidente João Lourenço, relações de estreita amizade advindas da passagem de todos pela Direcção Política das antigas FAPLA. Ao ainda governador de Cabinda, João Lourenço, está também ligado por interesses empresariais comuns.

Na presunção de que o processo de reformas/mudanças que João Lourenço tem em mente acelerar no pós-congresso poderá provocar “manifestações negativas” no interior do próprio regime, as novas nomeações irão privilegiar pessoas da sua confiança, de modo a favorecer a solidez e a unidade do Governo e do próprio regime.

A condição é aplicada a vários antigos colegas de João Lourenço na Direcção Política das antigas FAPLA como Mário António e Francisco Magalhães Paiva “Nvunda”, mas também a pessoas com percurso diverso , como Vicente Pinto de Andrade e Ângela Bragança. A pessoa que João Lourenço pretendeu, sem êxito, impor como ministra da Justiça Luzia Sebastião ( antiga juíza conselheira do Tribunal Constitucional e actual directora do Instituto de Estudos Judiciários), esposa de Francisco Magalhães Paiva “Nvunda”, do mesmo modo que uma das poucas cuja nomeação conseguiu foi a de Maria do Rosário Sambo (irmã mais nova de Ângela Bragança) como ministra do Ensino Superior.

Na sequência das alterações verificadas, com uns renovação geral da cúpula partidária, é apontada como particularmente fragilizada a situação de algumas figuras até agora destacadas do MPLA:

Higino Carneiro, destituído de cargos na direcção do partido e da direcção do grupo parlamentar. Detentor de uma fortuna considerável e sob investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR), é admitido por fontes próximas o levantamento a curto prazo da imunidade parlamentar de que actualmente beneficia;

Manuel Rabelais, ex-ministro da Comunicação Social e associado à família dos Santos na empresa Semba que está sob investigação da PGR e passível de perda da imunidade parlamentar;

Joana Lina, afastada do BP do MPLA de forma considerada comprometedora.

-A saída de Manuel Vicente , que tem vindo a assumir ascendente em relação ao PR em assuntos económicos, em particular petrolíferos, é geralmente interpretada como resultando de um acordo comum entre Manuel Vicente e João Lourenço . Manuel Vicente sempre denotou pouca apetência pelo jogo político e intrigas palacianas e, no âmbito da recuperação da imagem do MPLA e do país em termos de corrupção, o seu distanciamento em relação ao partido foi entendido por João Lourenço como desejável.

Fonte: AM

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