Angola na rota do tráfico de crianças para Europa

Entram em Portugal de avião, por Lisboa ou Porto, e, acompanhados por crianças de quem fingem ser pais, seguem por terra em direcção a França, onde os menores são vendidos, ao que tudo indica, a redes de pedofilia. Foi neste esquema que um casal angolano foi recentemente apanhado, quando viajava com três crianças para Paris. A investigação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) acredita que o casal pertence a uma rede organizada que usa Portugal como porta de entrada na Europa para tráfico de menores.

Em janeiro, o SEF deteve em Vila Real um casal angolano, que viajava de autocarro com três crianças africanas. Os menores, de 7,8 e 10 anos, tinham passaportes angolanos falsos. Não falavam português, nem nenhum dos dialectos usados em Angola. Os falsos pais, de 33 e 35 anos, foram sujeitos a primeiro interrogatório no Tribunal de Vila Real. Já estão os dois em prisão preventiva.

A suspeita de que as crianças seriam vendidas para redes de pedofilia ganhou ainda mais força quando os investigadores encontraram, no telemóvel do detido, várias fotografias e vídeos pornográficos envolvendo crianças africanas. O casal já tinha levantado suspeitas e estava a ser seguido de perto. Foram detidos depois de saírem do aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, quando seguiam num autocarro com destino a Paris, através da fronteira de Chaves.

As três crianças estão há um mês no abrigo do SEF destinado a refugiados. A forma como foram vacinadas , junto ao cotovelo e não na parte superior do braço, como se vacina em Portugal e Angola, leva as autoridades a suspeitarem de que terão nacionalidade congolesa. O dialecto que falam é também imperceptível para quem os acompanha no abrigo, o que leva a crer que tenham sido retirados de tribos do Congo.

Ao longo de várias horas, o juiz de instrução criminal do Tribunal de Vila Real que ouviu o casal angolano detido tentou de tudo para que os dois colaborassem com a Justiça. No entanto, o casal optou pelo silêncio, que não quebrou sequer para divulgar a origem das três crianças.

Embaixada de Angola acompanha o caso

A Embaixada de Angola em Portugal tem acompanhado o caso de perto. Já terá também diligenciado através do seu Consulado Geral no Porto, no sentido de perceber se as três crianças poderão ser naturais de Angola. No entanto, a origem angolana não foi confirmada.

Quando foram resgatadas pelo SEF ao casal angolano, as três crianças seguiram para um centro de acolhimento temporário de crianças. No entanto, a falta de passaporte ou de qualquer outro documento de identificação impediu os menores de continuarem no centro infantil. Há um mês que a menina e os dois meninos são obrigados a viver no abrigo do SEF para refugiados. A situação pode mudar em breve, já que poderá ser-lhes concedida a nacionalidade portuguesa.

Fonte: CM e VPN.

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