Angola sofre da “doença holandesa” do ouro negro

A mudança da especialização angolana é provavelmente o desafio mais difícil. Angola sofre do que os economistas chamam “doença holandesa”, ou seja, uma dependência extrema de uma matéria prima, no caso o petróleo, que domina 96% das exportações e que está sujeito à volatilidade dos preços do barril de ouro negro.

A designação surgiu nos anos 60 do século passado quando a Holanda vivia da exportação de gás, estratégia que, depois, corrigiu. Além disso, a exportação angolana depende em quase 90% dos mercados asiáticos, com a China à cabeça, como principal cliente destacado, comprando 69%.

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No primeiro trimestre de 2019, Angola ressentiu-se da “doença holandesa”. As exportações caíram em valor quase 17% em termos homólogos, em relação ao mesmo trimestre do ano passado, segundo dados do Banco Nacional de Angola.

As exportações do ouro negro caíram 18% em valor , 13% em volume e o preço desceu 5,5% . As projecções para a produção de petróleo reduziram. A Agência Nacional de Petróleo e Gás prevê uma descida da produção diária de 1.4 milhões actuais para 1,2 milhões de barris nos próximos seis anos e sem o investimento urgente poderá cair para perto de 1 milhão já em 2023.

O Governo de João Lourenço conseguiu, no entanto, um feito : a inflação desceu de 30% em 2016 para menos de 20% em 2018 e em Abril de 2019 registava 17,4% segundo o Instituto Nacional de Estatísticas. Essa é uma das metas do ajustamento firmado com o FMI.

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Em consequência desse processo de saída da hiperinflação, o Banco Nacional de Angola tem vindo a descer o custo do dinheiro. A taxa directora desceu de 18% em Abril do ano passado para 15,5% depois da decisão tomada na semana passada. Ainda assim é uma das taxas mais elevadas do mundo, que a colocam em sexto lugar num clube que é liderado pela Argentina.

China é o primeiro fornecedor de Angola

Um terço das importações de Angola depende actualmente de dois países. A China surge como primeiro fornecedor com 17% das importações e Portugal vem logo a seguir, com 16%, segundo dados do Banco Nacional de Angola para 2018.

Nas exportações portuguesas, Angola surge como nono destino no primeiro trimestre de 2019, na mesma posição de há um ano, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatísticas de Portugal.

Angola é para Portugal o mais importante cliente depois do grupo de sete parceiros da Zona Euro (sendo Espanha o principal destino) e dos Estados Unidos. É o principal e mais importante mercado de exportação de Portugal em África.

As empresas portuguesas exportam para Angola máquinas e equipamentos, óleos animais ou vegetais, plástico, vinho e mobiliário.

Fonte: Expresso.

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