Angola vai continuar a depender do financiamento da China durante os próximos anos

O analista da consultora Fitch Solutions que segue a economia angolana considerou, em entrevista à Lusa, que Angola vai manter a tendência de dependência da assistência financeira da China, pelo menos nos próximos cinco anos.

“Vemos Angola a dar alguns passos para diversificar as fontes de financiamento, mas vai continuar altamente dependente do financiamento chinês nos próximos anos”, vincou o analista Tettey Addy.

Angola é um dos principais beneficiários de investimento da China nos últimos anos, que tem pago com petróleo, devido ao interesse chinês em diversificar o acesso a matérias-primas como o crude, por um lado, e devido à facilidade que Angola tem em pagar em petróleo em vez de pagar em divisas.

“Esta relação aprofundou-se nos últimos anos, e no ano passado 43% das exportações de Angola foram para a China, tornando este país o terceiro maior destino das exportações angolanas , a seguir à Rússia e Arábia Saudita”, apontou o analista da consultora Fitch Solutions, detida pelo mesmo grupo financeiro que também tem a agência de rating Fitch.

Para o analista, este modelo de financiamento, a par de um novo pacote de crédito no valor de 11 mil milhões de dólares para 78 projectos de infraestruturas, “vai perpetuar a tendência de dependência da China, que começou durante o desenvolvimento de Angola”.

Questionado sobre se as reformas actuais são suficientes para convencer os investidores, Tettey Addy respondeu:

“Ainda é preciso fazer mais para que o interesse dos investidores não chineses se transforme, de facto, em investimento directo estrangeiro, por isso antecipamos que Angola se vá manter fortemente dependente do investimento chinês nos próximos cinco anos, pelo menos”.

A percepção de que as instituições são “corruptas devido ao nepotismo em vigor durante a Presidência de José Eduardo dos Santos ainda se mantém”, disse o analista, notando que “os chineses estão disponíveis para financiar os projectos de desenvolvimento por causa do petróleo, mas as outras nações vão continuar cautelosas nos próximos anos”.

Fonte: Lusa

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