Angolana Sodiam deixa de vender diamantes brutos aos árabes da Odyssey

A angolana Sodiam, que trata do comércio dos diamantes do país. refere que notificou o representante legal da empresa Odyssey Holding desta decisão, acrescentando que o contrato originou prejuízos.

A empresa pública angolana Sodiam, responsável pela comercialização dos diamantes do país, anunciou esta sexta-feira que cessou o contrato de compra e venda de diamantes brutos com a Odyssey Holding, empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos, alegando os prejuízos gerados.

Em comunicado distribuído à imprensa, a administração da Sodiam refere que notificou o representante legal da empresa Odyssey Holding desta decisão, acrescentando que o contrato envolveu a contração de “empréstimos bancários para financiar operações no exterior”, que, “até ao presente momento, apenas originaram a declaração de prejuízos, anulando a expectativa de ganhos criada pela empresa”.

A Sodiam acrescenta que tem atualmente “meios financeiros” que “permitam honrar os compromissos presentes e futuros, assumidos junto à banca, tendo conta o menor volume de negócios e obrigações de dívida a vencer”. Refere ainda que constatou agora que, por via do contrato de compra e venda, operou-se, na prática, uma transferência de ganhos da operação, da Sodiam para a Odyssey Holding.

A 1 de dezembro de 2017, a Sodiam tinha anunciado igualmente a saída da sociedade que controla a holding do grupo da joalharia de luxo suíça “De Grisogono”, do casal Sindika Dokolo e Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

A informação foi transmitida na altura, em comunicado, pelo conselho de administração da Sodiam, que desde 06 de novembro é liderado por Eugénio Bravo da Rosa, nomeado pelo novo Presidente angolano, João Lourenço, que exonerou a anterior presidente, Beatriz Jacinto de Sousa, nomeada seis meses antes por José Eduardo dos Santos. “Acreditamos que os empossados são pessoas à altura para organizar a comercialização dos nossos diamantes, no sentido de melhor servir a nossa economia”, exortou o Presidente João Lourenço, a 03 de novembro, quando deu posse à nova administração da Sodiam.

Em dezembro, a Sodiam informou que “por razões de interesse público e de legalidade” o seu conselho de administração adotou “um conjunto de deliberações tendo em vista a sua saída da sociedade de direito maltês Victoria Holding Limited”. Por via desta, a Sodiam referiu que detinha, de forma indireta “uma participação societária minoritária na sociedade holding do grupo joalheiro ‘De Grisogono’”.

“A participação da Sodiam EP na Victoria Holding Limited, e indiretamente no grupo ‘De Grisogono’, gerou, desde a sua constituição, em 2011, exclusivamente custos para a Sodiam, em virtude quer dos financiamentos bancários que contraiu, quer dos resultados negativos que têm sido sistematicamente apresentados pelo grupo, decorrentes de um modelo de gestão adotado a que a Sodiam EP é e sempre foi alheia”, referiu o comunicado de então.

A joalharia “De Grisogono” comprou em 2016 o maior diamante encontrado em Angola, que foi transformado numa joia rara de 163,41 quilates leiloado a 14 de novembro pela Christie’s, tendo rendido 33,7 milhões de dólares (28,3 milhões de euros).

O diamante, o 27.º maior em todo o mundo, tinha originalmente 404,2 quilates e sete centímetros de comprimento, quando foi encontrado, em fevereiro de 2016, por uma empresa mineira australiana no campo do Lulo, na Lunda Norte, no leste de Angola.

Fonte: Lusa

Deixe o seu comentário