Angolanos e israelitas fizeram oferta para comprar 33% da gestora do SIRESP

A maior participação accionista na sociedade gestora do SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) está à venda, por força do processo de liquidação da Galilei, a sucessora da Sociedade Lusa de Negócios (SLN). E houve um investidor internacional que apresentou uma proposta para comprar a participação de 33% este ano.

A primeira oferta foi recusada mas foi renovada já depois da polémica que rebentou a propósito do desempenho do sistema de comunicações de emergências no incêndio de Perdrógão Grande. No entanto, a resposta deverá continuar a ser negativa. 

A primeira oferta da Green Services Innovations terá sido feita formalmente em maio deste ano, depois de contactos preliminares realizados junto do Ministério da Administração Interna (MAI) no início do ano. Foi mesmo feito um pedido de informação ao MAI sobre o consentimento da venda das acções do SIRESP.

De acordo com informações obtidas pelo Observador, a Green Services Innovations apresentou-se como uma sociedade com capitais angolanos e escritório em Londres e que detém uma participação na Mitrelli, um grupo de origem israelita com escritórios em Luanda, Chipre e Israel e que actua em várias áreas, incluindo serviços de defesa, segurança, informação e comunicação. Na carta enviada com a proposta, a Green Services diz que os seus accionistas têm 30 anos de experiência na execução e financiamento de projectos em países emergentes. 

Na carta, assinada pelo Administrador Jorge Marques, são referidos vários projectos e empresas, incluindo uma participação na Minbos Resources, empresa cotada em bolsa que explora rochas fosfatadas na Bacia do Congo. 

O MAI tem o poder de vetar qualquer mudança accionista na sociedade gestora do SIRESP, nos termos do contrato de parceria público -privada (PPP) que atribui à sociedade gestora a exploração destas redes até 2021. 

Segundo o Observador, a Green Services apresentou uma proposta de compra que teria um valor aproximado de 2,5 milhões de euros, incluindo uma proposta para comprar e dívida subordinada (empréstimo accionista ao SIRESP) por 544 mil euros. A proposta foi entregue com um cheque visado de 20% do valor proposto, e que serve de caução, como definem as regras de venda de activos em liquidação. No entanto, adianta o gestor judicial da Galilei, Francisco Areias Duarte, a oferta foi recusada pela comissão de credores da Galilei. 

A Green Services Innovations voltou a renovar a sua oferta já depois do incêndio de Pedrógão Grande numa carta em que faz referência ao caso e que foi entendida como uma forma de desvalorizar o activo do SIRESP. As razões da primeira recusa mantêm-se e, face à controvérsia entretanto gerada em torno da empresa gestora e do SIRESP, não é considerado oportuno avançar agora com a venda do activo que está claramente desvalorizado neste contexto. Por outro lado, há quem argumente que será mais vantajoso do ponto de vista financeiro, a prazo, manter a posição até ao final do contrato em 2021 e encaixar os dividendos. 

O grupo Mitrelli opera nos sectores da educação, distribuição de água, agricultura, saúde e comunicação em vários países em África. Em Angola desenvolve projectos nestas áreas e contam com financiamento de um banco israelita e garantia do Estado de Israel. 

Fonte: Observador. 

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