Angolanos terminam ano esperançados na nova governação do país

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A crise continuou a marcar o dia-a-dia da generalidade dos angolanos em 2017, embora a esperança de mudança e de mais oportunidades provocada pelo novo Governo seja a tónica dos discursos de fim de ano.

Numa ronda efetuada na capital angolana, muitas pessoas admitiram que a crise condicionou a realização de muitos sonhos. Contribuiu, por exemplo, para que Nélson Fortunato, de 32 anos, perdesse o seu emprego.

“Para mim 2017 foi positivo até ao mês de outubro. Depois perdi o emprego, fui indemnizado e vou andando”, conta à Lusa o agora desempregado, almejando melhorias para 2018, sobretudo por mais aberturas no mercado de trabalho para os jovens.

Angola vive uma profunda crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra nas receitas com a exportação de petróleo, conjuntura que tem afetado toda a economia desde 2014.

“Todo o mundo espera que as coisas melhorem no próximo ano, em termos de mais oportunidades de trabalho para os jovens, melhorias no fornecimento de água e energia elétrica”, diz ainda Nélson Fortunato.

O novo Presidente angolano, João Lourenço, precisou de menos de três meses para afastar a estrutura de governação que recebeu de José Eduardo dos Santos, tendo feito acima de 300 nomeações e exonerando mais de 30 oficiais generais e cerca de 20 administrações de empresas públicas, na área petrolífera, dos diamantes, e de comunicação social, além do próprio Banco Nacional de Angola e de bancos comerciais detidos pelo Estado.

“Ninguém é suficientemente rico que não possa ser punido, ninguém é pobre demais que não possa ser protegido”, foi um dos mais sonantes avisos que o novo chefe de Estado, um general de 62 anos, deixou ao tomar posse, a 26 de setembro.

Por sua vez, a desportista Joelma Cristóvão de Carvalho prefere reconhecer os ganhos de 2017, assinalando que o ano decorreu na normalidade, apesar das dificuldades: “Conseguimos atingir alguns objetivos, teve algumas falhas, conseguimos melhorar e estamos a trabalhar”.

Esperançada na nova liderança do país, com João Lourenço, após a eleição de agosto, Joelma espera alegrias em 2018, tal como o mergulhador profissional Catarino Bernardo, que perdeu o emprego este ano.

“Tive um ano razoável, as dificuldades de divisas dificultaram muita coisa, perdi o emprego devido à escassez do dólar, muitos expatriados tiveram que regressar e eu fui vítima do desemprego também. Era mergulhador e de lá para cá tive de fazer biscates para me sustentar”, desabafa.

Atento ao novo contexto político do país, o mergulhador de 31 anos continua a acreditar em dias melhores: “O novo Presidente está a prometer e esperamos tudo, sobretudo a juventude e depositamos a crença nele”.

“O meu grande sonho é montar uma escola de mergulhadores para trabalharem na costa de Luanda”, conta.

Já Isaac João Jorge, estudante universitário de gestão de empresas, concluiu este ano a licenciatura e espera entrar no mercado de trabalho em 2018.

Está consciente da falta de ofertas de trabalho, mas deposita confiança na nova governação do país.

“O ano 2017 para mim foi positivo, tivemos as eleições que decorreram na normalidade, sem confusões, na minha vida também o ano foi bom, tenho sucessos na faculdade e estou bem”, sustenta.

Por agora, tal como a generalidade dos angolanos, acredita na nova liderança do país.

“A expetativa que nós temos com essa nova governação é que tenha êxito e espero melhorias em 2018. O sonho primordial é mesmo entrar no mercado de trabalho”, refere.

Por sua vez, o funcionário público Jorge Alferes considera que, apesar da crise, 2017 decorreu na normalidade, sobretudo por ser o ano em que conseguiu o primeiro emprego.

“O meu ano correu normalmente, apesar da crise, o percurso foi razoável mas deu”, realça.

Aproveitando a esperança que se sente no país, Jorge Alferes já pensa em 2018 com o objetivo de terminar os estudos.

“Espero que os sonhos programados sejam concretizados em 2018, como terminar os estudos. Para o país, com o novo Governo, também esperamos melhorias”, remata.

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