Apreendida em Angola cerca de uma tonelada de escamas de pangolim

Cerca de uma tonelada de escamas de pangolim, considerado o mamífero mais contrabandeado do mundo, bem como “enormes quantidades de marfim”, foi apreendida pelas autoridades angolanas no primeiro semestre de 2018, disse hoje à agência Lusa fonte oficial.

“Dos resultados das apreensões, neste momento, foram já inventariados 60 códigos de vários tipos de marfim e aproximadamente 1.000 quilogramas de escamas de pangolim, estamos ainda a compilar os números”, disse a chefe do departamento da Gestão da Biodiversidade do Ministério do Ambiente de Angola, Albertina Nzuzi.

O pangolim é um mamífero que vive em zonas tropicais da Ásia e da África.

Em declarações à Lusa à margem da segunda reunião do Grupo de Peritos sobre a Implementação da Estratégia Africana para o Combate à Exploração e ao Comércio Ilegais da Fauna e da Flora Selvagens, a responsável revelou que os caçadores furtivos no país estão agora “focados no abate” de pangolins para a extração das suas escamas.

“Os traficantes que primam por abater as espécies da vida selvagem têm agora a tendência de deixar os elefantes e ir para espécies de pequeno porte, como o pangolim. Só nestas duas últimas semanas apreendemos quantidades enormes de escamas de pangolim, que está agora a ser vítima desses traficantes”, explicou.

Angola tem 30 espécies ameaçadas de extinção essencialmente devido aos efeitos da caça furtiva, entre mamíferos, aves, répteis e peixes, e reconhece oficialmente três espécies extintas, de acordo com a denominada Lista Vermelha das Espécies da Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção (CITES) e da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB).

De acordo com Albertina Nzuzi, a situação da caça furtiva no país “é preocupante”, numa altura em que, na sequência da “Lista Vermelha”, Angola continua a “desenvolver estudos para apresentar dados mais específicos” sobre outras espécies nesta condição.

“Os últimos dados viáveis que temos foram feitos nos anos 70 [do século XX]. Fruto disso, atualmente, o país leva a cabo uma série de investigações das espécies que envolve mapeamentos para termos dados credíveis”, adiantou.

Mas a “Lista Vermelha”, fundamentou, “é já retrato do levantamento daquelas espécies que achamos que devem estar em vias de extinção”.

“Temos de as proteger e, por isso, ficam na lista vermelha para termos mais atenção a sua conservação e proteção”, acrescentou.

Questionada sobre as medidas de fiscalização para inverter o “preocupante e alarmante quadro” da caça furtiva em Angola, a também ponto focal da CITES defendeu a “harmonização de políticas penais” a nível dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

“Temos informações de que muitos caçadores que vêm caçar nos limites do nosso país também vêm de países fronteiriços, porque a moldura penal nos países de origem é alta, enquanto em Angola é branda”, acrescentou.

“Por isso, preferem caçar no nosso país, por isso, queríamos aqui apelar à harmonização de políticas a nível dos países da SADC, em relação à penalização de crimes ambientais”, rematou.

A segunda reunião do Grupo de Peritos sobre a Implementação da Estratégia Africana para o Combate à Exploração e ao Comércio Ilegais da Fauna e da Flora Selvagens em África decorre na capital angolana até sexta-feira.

Fonte: Lusa

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