Augusto Santos Silva: “Temos que olhar para Angola como o nosso próximo Brasil”

Augusto Santos e Silva não deixou arrefecer a visita de Estado que o Presidente angolano fez a Portugal e que Marcelo Rebelo de Sousa retribuirá em Março quando se deslocar a Luanda.

Quarta-feira, numa conferência em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal insistiu (para céptico ouvir?) que o apelo deixado por João Lourenço para que os portugueses se virem “em força” para Angola é a sério e que “quem não compreender o que está a acontecer em Angola não está a compreender nada”.

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“Temos que olhar para Angola como o nosso próximo Brasil”, arriscou o ministro, que foi o convidado de mais uma conferência organizada pela Abreu Advogados, desta vez sobre o tema ” O papel de África na política externa portuguesa”.

Muito crítico da forma como a Europa, e em particular o Banco Central Europeu, têm encarado a relação com o continente africano – ” a Europa não se pode fechar sobre si própria”-, Santos Silva explicou como África tem um papel “absolutamente central” não só na política externa portuguesa como na política europeia.

“Quando nos perguntam se Portugal vale na Europa pelo que vale fora ou se vale fora pelo que vale na Europa, eu uso a cupulativa “, afirmou. Ou seja, Portugal vale pela soma e pela relação privilegiada que mantém com africanos e europeus. Prova disso, anunciou o governante português, é que ” uma das prioridades da presidência da União Europeia que Portugal assumirá em 2021″, vai ser, precisamente, “a relação Europa -África”.

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Convicto de que “grande parte dos problemas e das potencialidades da Europa só se resolvem em parceria com África”, Augusto Santos Silva exemplificou com as questões demográficas, a segurança, o crescimento, as necessidades de comércio, e os movimentos migratórios, para concluir que no actual contexto internacional, “desvalorizar a relação com África é um erro crasso”. No caso português, o ministro assumiu que “as duas Áfricas , Magrebe e Subsaariana, são igualmente próximas”. Mas deu destaque a Moçambique e a Angola, que na sua opinião “vai ser o navio almirante da língua portuguesa no mundo”.

Muito crítico da forma como o BCE obrigou à desalavancagem do investimento financeiro europeu em África . “Um erro enorme”, Santos e Silva viu nessa decisão “um preconceito” e avisou que “é um erro querer usar a mesma forma de sapato para pés diferentes”. É preciso “aumentar o orçamento comunitário”, fazer “mais parcerias para investimento”, defendeu o chefe da diplomacia portuguesa, que insistiu na oportunidade que representam para os portugueses as possíveis parcerias com Angola na educação, saúde, agricultura e investimento.

Marques Mendes, presidente do conselho estratégico da Abreu Advogados, também falou de Angola como “um mundo de oportunidades”, quem sabe até para “novos clientes”.

Na plateia, a ouvir Augusto Santos Silva estiveram, entre outros, os CEO e Chairman do BCP, Miguel Maia e Nuno Amado, o CEO do Novo Banco, António Ramalho, o vice da Caixa Geral de Depósitos, José João Guilherme, Eduardo Catroga da EDP, Bruno Bobone da Câmara de Comércio Luso-angolana, os presidentes da Siemens e dos CTT, responsáveis do grupo Sana, deputados, o embaixador de Angola em Portugal, Carlos Alberto Fonseca, e os embaixadores de Moçambique e da Bélgica.

Fonte: Expresso

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