BPI pretende reduzir a participação no BFA

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O banco, comprado pelos catalães, tem 48,1% do BFA, mas vai ter de diminuir esse peso. “Temos de fazer o que o supervisor diz”, explica Pablo Forero, o CEO.

A venda de ativos do BPI ao CaixaBank, os novos donos do banco português, não é um desnatar do banco, garantiu ontem Pablo Forero, o presidente executivo. Em novembro do ano passado, a venda dos negócios de seguros vida e gestão de pensões, gestão de fundos de investimento, gestão de ativos e corretagem e análise (research) ao CaixaBank geraram uma receita global de 222 milhões de euros.

Forero explicou que, assim, o banco conseguiu receber dividendos que só iria obter ao longo de 15 a 20 anos e que agora poderá passar a ter mais serviços e melhores produtos para os seus clientes, sem ter de fazer o investimento necessário no negócio. “O que muda é o acionista”, afirmou o banqueiro na conferência de imprensa de apresentação das contas de 2017.

O Caixabank anunciou que vai manter a marca BPI, uma decisão definitiva que põe um ponto final na dúvida que existia desde que os catalães concretizaram a oferta pública de aquisição (OPA) lançada sobre o banco português.

O BPI está agora a concentrar-se na atividade em Portugal, na sequência da venda de 2% no angolano BFA, no início de 2017, por exigência do Banco Central Europeu, que recomenda uma ainda maior redução no capital banco comandado pela Unitel, de Isabel dos Santos.

“A nossa intenção é reduzir a participação no BFA [Banco de Fomento Angola] porque não pode ser de outra maneira”, explicou Forero. “Temos de fazer o que o supervisor diz. A boa notícia é que não temos uma data limite, o que temos é uma intenção e temos de trabalhar nisso.”

Uma hipótese que foi avançada por Isabel dos Santos, dona da Unitel, foi a dispersão de parte do capital do BFA, o que permitiria ao BPI também diminuir o seu peso no capital. “Se há uma operação de IPO, vemos com bons olhos essa possibilidade e naturalmente estudamos com muito detalhe e interesse”, resumiu o banqueiro.

Atualmente, o BPI considera a posição no BFA como um investimento financeiro e não estratégico, não tendo presença na gestão do banco. “A nossa estratégia em Angola é reduzir a nossa participação no BFA e apoiar o BFA.” Angola foi responsável pela queda dos lucros do BPI no ano passado (ver caixa).

Fora das previsões do banco está um novo plano de saída de trabalhadores. Em 2017, o banco contou com a saída líquida de 594 trabalhadores, terminando o ano com um quadro de 4931 funcionários. Uma redução de pessoal que acompanhou o fecho de 14 agências. O programa de saídas voluntárias teve um custo extraordinário de 78 milhões de euros.

“Não há nenhum plano para fazer outro programa de saída, em absoluto”, garantiu Pablo Forero. “Não é preciso para nada. Agora, temos a equipa que precisamos, o número de balcões que precisamos e, portanto, estamos em situação de tranquilidade e normalidade.” O objetivo de sinergias de 120 milhões de euros até 2020 com a junção do BPI ao Caixabank está já em cumprimento, com medidas executadas ou em execução, concluiu.

Fonte: DN

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