Braço-direito de João Lourenço terá enriquecido com contratos públicos

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A reportagem da televisão portuguesa TVI24 afirma que o Governo angolano tem contratado a empresa do chefe de Gabinete Edeltrudes Costa para a prestação de serviços de consultoria. Segundo aquele órgão de comunicação social, Costa terá construído uma fortuna que não é compatível com as funções que detém no Governo.

A reportagem da TVI24 denuncia o Governo angolano por estar a favorecer o chefe de Gabinete Edeltrudes Costa através de contratos públicos com a empresa EMFC para a prestação de diversos serviços.

A peça jornalística transmitida na noite da passada segunda-feira (21/9) questiona o facto de um empresário conseguir contratos milionários junto de um Governo que ele integra. A situação seria irregular no momento em que um ministro de Estado se beneficiaria da circunstância de ser ministro através da celebração de contratos privados. Edeltrudes Costa faz parte da elite política angolana há anos, tendo também integrado a equipa do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

A TVI24 afirmou ter contactado João Lourenço e Eldetrudes Costa, mas que os políticos “não quiseram prestar esclarecimentos”.

Segundo a TVI24, terá sido celebrado um contrato no início de 2019 para modernizar os aeroportos angolanos. Na documentação apresentada pela reportagem assinada pelo jornalista André Carvalho Ramos, o Presidente João Lourenço autorizou a contratação da empresa portuguesa Roland Berger e a imediata subcontratação da EMFC.

O recurso adquirido pelo contrato celebrado em Fevereiro de 2019 foi parar a Portugal e teria sido utilizado para compras de imóveis de luxo em Sintra e Cascais, segundo aquela TV portuguesa. Mais de 1,5 milhão de euros foram transferidos para Portugal e depositados na conta da empresa do ministro no Banco Atlântico Europa.

Os cargos não condizem com a fortuna

Edeltrudes Costa foi secretário-geral de José Eduardo dos Santos, com função de ministro de Estado e chefe da Casa Civil. A televisão portuguesa afirmou que teve acesso a extractos bancários que mostram que Costa deteria – em euros, dólares e kwanzas – o equivalente a 20 milhões de euros, apesar de nunca ter ocupado oficialmente cargos que lhe rendessem grandes fortunas. Segundo a reportagem, um ministro angolano ganharia mensalmente cerca de 10 mil euros, incluindo todos os benefícios.

A fortuna teria sido usada para comprar uma casa em Cascais no valor de 2,5 milhões de euros – que está no nome da ex-mulher de Costa e presidente do Conselho de Administração da EMFC. O chefe de Gabinente de João Lourenço terá também comprado barcos de passeio em Portugal, no valor de 130 mil euros, e um apartamento de luxo numa propriedade do Presidente norte-americano Donald Trump no Panamá.

Segundo a reportagem, o recurso utilizado para esta última aquisição teria passado pelo Banco Espírito Santo na Zona Franca da Madeira. O banco central português teria investigado as transferências envolvendo a empresa de Costa, tendo por base “falhas graves na prevenção de branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo”, segundo a TVI24.

O canal português também refere uma prestação de serviços para a Comissão Nacional Eleitoral no último pleito realizado em Angola. O negócio terá rendido a Costa 1milhão de euros para fornecer material para as eleições ganhas por João Lourenço.

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