Cada vez mais migrantes africanos tentam chegar aos EUA pelo México

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Os migrantes que pretendem atravessar a fronteira sul dos EUA são, sobretudo, centro-americanos. Mas cada vez mais migrantes de meia-dúzia de países de países africanos com incidência para Angola, Camarões e República Democrática do Congo, estão a juntar-se-lhes, fazendo crescer os apelos norte-americanos e mexicanos para que os países da América Latina façam a sua parte para diminuir o fluxo de migrantes.

À medida que mais familiares e amigos de africanos que fizeram a viagem ouvem que cruzar a América Latina até aos EUA é difícil, mas não impossível, há mais a fazer a viagem que, por sua vez, ajudam outros a seguir as suas pisadas, afirmam especialistas em migração.

As ameaças de Donald Trump de reprimir os migrantes ressoaram em todo o mundo e, paradoxalmente, estimularam alguns a explorar aquilo que consideram uma pequena janela de oportunidade, diz Michele Mittelstad, directora de comunicação do Migration Policy Institute, um think tank de Washington.

“Esta mensagem não está a ser ouvida apenas na América Central, também noutras partes do mundo”, refere.

Dados do Ministério do Interior mexicano dão conta que a migração de África irá bater recordes este ano.

O número de africanos registados pelas autoridades mexicanas triplicou nos primeiros quatro meses de 2019 comparado com igual período do ano passado, chegando às 1.900 pessoas, a maioria dos Camarões, Angola e República Democrática do Congo (RDC) que permanece profundamente instável , anos depois de um conflito regional sangrento que levou à morte de vários milhões de pessoas.

A Reuters falou recentemente em Tapachula (Chiapas) com cinco migrantes provenientes de Angola, Camarões e RDC. Alguns disseram que viajaram para o Brasil como ponto de intermédio.

São uma amostra pequena entre as centenas de pessoas, incluindo haitianos, cubanos, indiano que se aglomeravam no exterior do centro de migrações.

O número de africanos sem documentos registados pelas autoridades mexicanas quadruplicaram em cinco anos, atingindo quase 3.000 pessoas em 2018. A maioria obtém vistos de 20 dias para atravessar o México, para depois passarem a fronteira para os EUA e solicitarem asilo. Pouco deles optam por pedir asilo no México, em parte porque não falam espanhol.

Os que chegam aos EUA mandam conselhos para casa, ajudando a facilitar a viagem dos outros, explicou Florence Kim, porta-voz na África Ocidental e Central da Organização Internacional de Migrações.

Tal como os migrantes da migrantes da América Central, alguns africanos optam por viajar com a família, na esperança que isso facilite a entrada , referiu Mittelstad, do Migrations Policy Institute.

Prevê-se que nos próximos meses mais migrantes africanos viajem para a América Latina. “Eles querem fazer alguma coisa com a sua vida. Sentem que nos seus países não têm futuro”, disse Florence Kim.

Fonte: Público.

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