Canadá: Justin Trudeau admite cancelar contrato de venda de armas à Arábia Saudita

O primeiro-ministro do Canadá admitiu cancelar um grande contrato de venda de armas à Arábia Saudita, na sequência da morte do jornalista Jamal Khashoggi.

Num programa de televisão transmitido no domingo, Justin Trudeau declarou que um contrato no valor de 15 mil milhões de dólares canadianos (9,9 mil milhões de euros) para a venda de veículos blindados leves a Riade está dependente de “cláusulas que devem ser seguidas em relação ao uso do que lhes é vendido”. “Se eles não seguirem estas cláusulas, definitivamente cancelaremos o contrato”, acrescentou.

As regulamentações canadianas sobre a venda de equipamentos militares contém restrições a violações de direitos humanos contra cidadãos do país onde as armas foram vendidas e proíbem o uso contra civis.

Criticado por organizações de direitos humanos, este contrato foi assinado pelo Governo conservador que o precedeu, lembrou Justin Trudeau.

A ministra dos Negócios Estrangeiros canadiano já tinha afirmado no sábado que as explicações sauditas sobre as circunstâncias da morte do jornalista Jamal Khashoggi não eram credíveis.

A Alemanha anunciou no domingo que vai suspender a venda de armas à Arábia Saudita enquanto não forem apuradas todas as circunstâncias da morte de Jamal Khashoggi.

“No que diz respeito às exportações de armas, não podem ocorrer no actual momento. Concordo com todos aqueles que dizem que as exportações não podem interferir na situação em que estamos, mesmo que as vendas sejam já limitadas”, disse a chanceler alemã, Angela Merkel.

Jamal Khashoggi, 60 anos, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de Outubro, para obter um documento para se casar com uma cidadã turca, e nunca mais foi visto. O jornalista saudita, que colaborava com o jornal The Washington Post, estava exilado nos Estados Unidos da América desde 2017 e era um reconhecido crítico do poder em Riade.

A Arábia Saudita acabou por admitir no sábado que o jornalista Jamal Khashoggi, crítico do poder em Riade e colaborador do jornal The Washington Post, foi morto nas instalações do consulado saudita em Istambul. Durante vários dias, as autoridades sauditas tinham afirmado que Khashoggi sairá vivo das instalações.

As autoridades turcas têm sustentado que 15 sauditas que chegaram a Istambul em dois aviões no passado dia 2 de Outubro estão ligados à morte de Khashoggi. “Porque é que esses homens vieram cá ? Porque é que 18 pessoas foram detidas?”, perguntou o presidente turco.

Riade indicou que cinco responsáveis foram despedidos e que 18 sauditas foram detidos na sequência de um inquérito a este caso .

Fonte : Lusa.

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