Caso CNC: Gestor aguarda “ordens superiores” para depositar 77 milhões de dólares na Conta Única do Tesouro

A informação foi prestada nesta quarta-feira , pelo director-geral do Conselho Nacional de Carregadores (CNC), Catarino de Fontes Pereira, quando depunha em tribunal, na condição de testemunha, durante a audiência e discussão de julgamento do Caso CNC, em que o ex-ministro dos Transportes, Augusto Tomás é o principal arguido.

Segundo revelou Catarino de Fontes Pereira, as receitas a que se referiu foram arrecadadas no período de Agosto de 2018 a Julho de 2019, e, tal como se procedia anteriormente, os valores mantêm-se nas contas privadas do CNC.

publicidade

Afirmou que apenas o ministro dos Transportes tem competência para informar ao homólogo das Finanças para depositá-los na Conta Única do Tesouro, junto do Banco Nacional de Angola (BNA).

Sobre as médias anuais de arrecadação de receitas, disse que por altura da sua tomada de posse em Agosto de 2018, encontrou mais de 50 milhões de dólares arrecadados pela direcção liderada pelo réu Manuel Paulo, diferentes dos 38 milhões de kwanzas revelados pelo seu antecessor.

Antes, o ministro dos Transportes, Ricardo Viegas de Abreu, que igualmente depôs como testemunha, afirmou que as previsões das receitas do CNC são inscritas no Orçamento Geral do Estado (OGE), e que as mesmas já se encontravam na Conta Geral do Estado (CGE).

publicidade

Faça já a sua assinatura: formulário de assinatura
Contactos editoriais: jornalkandandu@gmail.com

Publicidade: vivenviaspress@gmail.com

Também por ordem do júri, foi ouvida a directora Nacional do Tesouro, Miriam Estrela Ferreira, que afirmou nunca terem sido enviadas as receitas a Conta Única do Tesouro, contrariando as regras de execução financeira que impõem obrigação legal de depositar na CGE.

Questionada porque razão o Ministério das Finanças nunca obrigou o CNC a depositar os valores, uma vez que sabia das irregularidades, respondeu que não sabia explicar pelo facto de assumir o cargo apenas em Janeiro de 2018.

Perante o júri, Miriam Estrela Ferreira declarou que desde que assumiu a pasta está a reorganizar a direcção do CNC para , doravante, passar a obrigar todos os institutos públicos geradores de receitas a cumprir à “letra da lei”.

As “contas receitas” e a sua função

Ainda sobre o desvio de somas avultadas do CNC em benefício dos réus, a directora do gabinete jurídico da Administração Geral Tributária (AGT), Hélia Maria Miguel, esclareceu que as unidades orçamentadas (como o CNC) possuem contas internas denominadas “contas receitas”.?

Tratam-se de contas para o depósito das receitas arrecadadas. É destas contas que o dinheiro deve ser transferido, diariamente, para a Conta Única do Tesouro.

Após esse procedimento, afirmou, se o CNC precisar de valores para acudir a despesas internas, deve efectuar novamente um pedido para a Conta Única do Tesouro, num procedimento que permite controlar e fiscalizar de forma eficaz os dinheiros públicos.

Ainda ontem, foram ouvidos André Luís Brandão (ministro dos Transportes no período de 1992-2008), Justino Fernandes (antigo presidente da Federação Angolana de Futebol) e Ismael Diogo da Silva (na qualidade de presidente da mesa da assembleia-geral das empresas privadas ASGM e CIMMA).

Na sessão desta quarta-feira foram, igualmente, ouvidos Carlos Maria Feijó, na qualidade de ex-ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, e Mário Miguel Domingos, coordenador da comissão de gestão da ENANA.

A sessão de audiência e discussão de julgamento decorre nesta quinta-feira com a audição, entre outras entidades, do ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, João Ernesto dos Santos “Liberdade”, do deputado Manuel da Cruz Neto e de Rui Carreira, presidente da comissão executiva da TAAG.

Fonte: Angop.

Deixe o seu comentário