Caso Vistos Gold: “Tudo era pago por Angola” na cooperação sobre registos e notariado

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O ex-presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), admitiu ontem ter recebido 20 mil euros por organizar uma conferência em Angola, mas negou que tenha cometido qualquer ilicitude nas actividades descritas no processo ” Vistos Gold”.

Questionado pelo juiz Francisco Henriques sobre as quantias que recebeu de Angola, António Figueiredo salientou que, no âmbito da formação e cooperação em matéria de registos e notariado, ficou acordado que ” tudo era pago por Angola “, admitindo que numa das viagens recebeu ajudas de custo no valor de 2.000 euros.

Foi ainda confrontado com 25 mil Kwanzas que foram apreendidos numa busca imobiliária, tendi justificado esta verba com as ajudas de custo de uma outra deslocação a Angola, para o mesmo efeito.

O antigo presidente do IRN lembrou que, em abril de 2014, deslocou-se a Angola, no âmbito da cooperação, numa comitiva que integrava a ex-ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, e o director nacional da Polícia Judiciária Almeida Rodrigues.

António Figueiredo foi ainda confrontado sobre uma proposta vantajosa que terá recebido para participar na reforma dos códigos de registos de Angola, tendo o juiz inquirido o antigo presidente do IRN sobre se “nunca cogitou sobre estas coisas da aparência “, ou seja que ” à mulher de César não basta ser séria”.

Nestas e noutras matérias da acusação, o arguido rejeitou a prática de qualquer acto ilícito, considerando contudo que a sua ” disponibilidade para tudo e para todos ” lhe acabou por ser ” prejudicial”.

” Para mim foi uma lição de vida”, declarou o arguido, que teve ainda de explicar uma deslocação à Madeira na companhia do empresário angolano Eliseu Bumba, tendo em vista a eventual aquisição de um hotel que estava penhorado.

António Figueiredo foi presidente do IRN entre 2004 e 2015 e chegou a estar em prisão preventiva.

Fonte : Lusa

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