Cinco portugueses assassinados em Angola nos primeiros quatro meses de 2019

Um taco de snooker foi o que os dois assaltantes levaram de Pedro Gonçalves, de 41 anos, depois de o balearem por duas vezes quando entrava na sua viatura na zona do Benfica, em Luanda, esta terça-feira à tarde.

Atrás ficou a carteira, o computador e o telemóvel do engenheiro civil que, ao fim de mais de uma década de trabalho em Angola, se preparava para regressar a Portugal, no final do ano.

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Em território angolano, só este ano, já morreram cinco cidadãos portugueses vítimas de crimes violentos.

Pedro Gonçalves residia no condomínio Dalia, em Talatona. Andava à procura de casa e tinha encontrado uma habitação segura e mais barata na zona do Benfica, onde ocorreu a tragédia. “Ele era o nosso pilar”, disse o enteado da vítima, também Pedro Gonçalves, de 18 anos.

A família de Pedro Gonçalves reside em Montalvo, no concelho de Constância. A mulher e os três filhos (dois são do casal), uma delas ainda bebé, foi duramente atingida pela notícia.

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“Ainda não consegui aceitar que faleceu. Acho que só vou conseguir quando o vir”, disse a viúva.

“Agora vou tentar arranjar maneira de sustentar a minha família. Esse tem de ser o meu trabalho, não os deixar cair, suportar esta tragédia e recomeçar”, afirmou o enteado.

Há quase uma década, a família tentou juntar-se de novo em Angola. Como o filho mais novo da vítima não obteve equivalências escolares, foi obrigado a voltar para Portugal, acompanhado pela mãe. “Eu fiquei com o meu padrasto, para ele não ficar sozinho”, disse o jovem.

Porém, o ambiente instável que se vivia em território angolano acabou por forçar o enteado a abandonar o país.

Para preparar a nova vida em Portugal, Pedro Gonçalves tinha adquirido um espaço para criar um espaço para criar um salão de beleza, onde trabalharia a esposa, esteticista, e a cunhada, cabeleireira. O edifício vazio, em Montalvo, é agora só mais um símbolo do sofrimento de uma família desfeita pela tragédia.

Corpo volta no domingo

O cadáver da vítima deverá voltar a Portugal no próximo domingo. A família vai aguardar a sua chegada para marcar a data e a hora do funeral.

Pedro Gonçalves era engenheiro civil, em Portugal teve a seu cargo a direcção de obras como o Shopping de Olhão e a Biblioteca Municipal de Rio Maior, entre outras.

Em 2007, Pedro Gonçalves perdeu um filho, na altura com dois anos, que morreu na sequência de um aneurisma. Foi atingido por um televisor.

O bilhar era o passatempo favorito de Pedro Gonçalves. Em Montalvo, fazia questão de ir desafiar os amigos para uma partida no Café Avenida. Na altura do homicídio, em Luanda, abandonava um salão após assistir a uma partida do ProjetOito Angola, um torneio amador no qual integrava uma das equipas.

Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal reage

A Secretaria de Estado das Comunidades garantiu ontem que “esta trágica ocorrência está a ser acompanhada pelo Consulado-Geral de Portugal em Luanda. Este crime encontra-se a ser investigado pelas autoridades policiais angolanas, sendo que confiamos na sua capacidade e empenho”, adianta o gabinete de José Luís Carneiro.

Vítimas portuguesas do crime em Angola nos primeiros quatro meses de 2019

4. Mário Manuel da Ressurreição Fernandes: Empresário de 55 anos, foi encontrado sem vida com as mãos amarradas na casa de banho de casa, na Centralidade do Kilamba, em Luanda no dia 17 deste mês. Deixa mulher e filhos.

3. Manuel Tomé Ribeiro: Mecânico de 62 anos, foi abatido a tiro à porta de casa, no dia 12 de Abril, no bairro do Zango em Luanda, por três homens que lhe roubaram a motorizada. Ia à farmácia com a filha de 7 anos para comprar um medicamento quando foi surpreendido pelo grupo. A menina assistiu a tudo, impotente para salvar o pai. Um dos suspeitos do crime já foi detido pela Polícia Nacional.

2. Adérito Florêncio Teté: Um transmontano de 85 anos, foi encontrado morto no quarto de casa, em Malanje, com a cabeça ensanguentada no dia 3 de Fevereiro. Tinha “vários golpes objectos cortantes”.

1. Délcio dos Reis Cardoso: Empresário de 64 anos que vivia em Benguela, foi assassinado na província da Huíla, tal como um amigo moçambicano. Segundo a Polícia Nacional, os dois homens estavam a tratar de “negócios ilícitos”. Os corpos foram enterrados pelos cinco homicidas e localizados um mês depois.

Fonte: CM.

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