Crónica sobre a minha saudade

Caiem as lágrimas de saudade
De um passado sem maldade
O rio do tempo afogou pessoas incríveis
A memória relembra de ações invisíveis

Quanto te foste ó tempo?
Mas por que partiste ó tempo?

Saudade sinto do tempo da prosperidade
Quando a bondade ilumina as noites escuras na cidade
Crianças sorriam de verdade
Adultos sabulavam maturidade
Até as árvores respiravam saudibilidade

Sentir falta daquele tempo é péssimo
O vazio humilha a vaidade
E se choro é de saudade
Saudade de um passado sem maldade

Quando te foste ó tempo?
Por que partiste ó tempo?

Saudade da hora em que o sol se escondia e vinha,
Vinha a lua procurá-lo
Ou mesmo sossega-lo
Saudade das dezoito horas para ver mamã chegar,
Suas “bikuatas” no chão pousar
Suas “malambas” connosco partilhar
E claro, as “bolachas” já mais podiam faltar

Sentir falta daquele tempo é péssimo
O vazio humilha a vaidade
E se choro é de saudade
Saudade de um passado sem maldade

Quando te foste ó tempo?
Por que partiste ó tempo?

Saudade sindo da minha mãe, de lhe ouvir falar
Até mesmo me ralhar (que sirva)
Saudade de com ela seroar
A mesa partilhar
De lhe ouvir terapiar, estóriar e chorar

Saudade mesmo de a poder tocar
Seu cheiro inalar
E minhas desaventuras e desgraças lhe poder zongolar
Saudade sinto de a amar
Saudade sinto do mar (enfim)

Sentir falta daquele tempo é péssimo
O vazio humilha a vaidade
E se choro é de saudade
Saudade de um passado sem maldade…

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