Cultura de hoje – 2

Por imponderáveis das últimas semanas não nos possível manter o compromisso para com os leitores e acima de tudo junto dos responsáveis deste espaço de leitura agradável, por este fato lamentamos a nossa ausência.

E porque não gostamos de temas sem continuidade, voltamos a abordar as temáticas da cultura no seu geral, com uma visão de gestão.

publicidade

Sentimos e percecionamos que os tempos de hoje, não se compadecem com uma visão da arte, nomeadamente, como uma forma de investimento, na compra para mais tarde valorizar a transação. O mundo alterou com o desaparecimento de capitais concentrados e por outro lado a massificação provoca uma média de valores das obras mais baixa comparativamente a anos anteriores.

Por outro lado, com poderes políticos mais democráticos também não é de todo possível escolher um grupo de agentes culturais e fazer deles a bandeira de um país ou de um regime. Com toda a transparência há uma prática de concursos ou outro modelo de candidaturas para atribuição de apoios sejam eles de que natureza for.

Talvez se interroguem qual razão desta abordagem. Entendemos que a área da cultura nas diferentes formas de expressão e dignificação projeta a paz e a harmonia e pode e deve ser comparada ao desporto, nos seus denominadores comuns. Os artistas de nível excelente podem e devem contribuir para a imagem, de um país ou de uma região ou de uma instituição, tal como os artistas do desporto.

publicidade

Faça já a sua assinatura: formulário de assinatura
Contactos editoriais: jornalkandandu@gmail.com

Publicidade: vivenviaspress@gmail.com

No entanto, do mesmo modo ao que acontece no desporto em que há clubes que ajudam à formação e à projeção de desportistas da base até ao topo de acordo com as diferentes vicissitudes das carreiras, o mesmo deve ocorrer no mundo das atividades culturais. Com uma particularidade, tanto quanto é do nosso conhecimento, no espaço de expressão em língua portuguesa, não há uma adequada política de desenvolvimento cultural, de acordo com o grau de exigência, competência e rigor dos dias de hoje, devido à escassez de capital para investir.

De forma semelhante ao desporto existem associações e instituições que se dedicam à projeção de artistas e não à projeção de dirigentes e ainda existe a tendência da sobrevivência pela atribuição de subsídios generalizados, os quais mais do que no passado deviam ser concedidos por competência e por projeto.

Ao invés do que ocorre no desporto competitivo, na arte há quem se aproveite dos artistas, dos escritores para se projetar singularmente, secundarizando em momentos relevantes a importância do artista e/ou do escritor.

Urge, incentivar políticas culturais assentes na meritocracia sem coartar e condenar ao ostracismo artistas em início de carreira, mas há que estabelecer critérios objetivos e escalonados de apoio com incentivos.

Neste mundo global e nomeadamente no espaço de expressão em língua portuguesa há inúmeros artistas e escritores que merecem receber incentivos, porque é pela existência de quantidade que se torna possível estabelecer grau de elevada qualidade aos reconhecidos como excelentes. Não estamos com isto, afirmar que deverá existir critério de “censura” na arte ou na literatura ou noutras áreas culturais, pelo contrário entendemos que quando o Sol nasce é para todos, depende do que cada um se consegue usufruir mais ou menos da energia do Sol.

Quem gere e determina valores de política cultural deve ter uma postura íntegra e sólida para que todos à sua volta se sintam respeitados, enquanto agentes culturais.

Deixe o seu comentário