Cunene: Governo prevê recuperar centenas de furos de água

Objectivo das autoridades é fazer com que a população das zonas afectadas pela seca deixe de percorrer longas distâncias para encontrar poços que ainda conservam um pouco de água, resultante das chuvas da época anterior.

A província do Cunene, no quadro do Programa de Investimentos Públicos, este ano vai dar prioridade à recuperação de furos de água, com vista a melhorar o abastecimento à população, principalmente nas regiões fortemente afectadas pela seca, afirmou o vicegovernador para o sector Técnico e Infra-estruturas, Édio Sambwaco.

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Em entrevista concedida à Angop e ao Jornal de Angola, Édio Gentil Sambwaco disse que está prevista a reabilitação de cerca de 320 furos inoperantes, de um total de 740 que a província possui. O vice-governador do Cunene adiantou que o que se pretende é a recuperação, numa primeira fase, de 28 furos de água por cada um dos seis municípios e onde a reabilitação não for possível vão ser construídos novos sistemas, no quadro das medidas de emergência contra a seca.

Nos municípios do Curoca, Cuanhama, Cahama, Ombadja e Namacunde, segundo constatações feitas pelo Jornal de Angola, boa parte dos furos de água, equipados com bombas a manivela, colocados ao longo das vias, encontram-se fora de serviço e em estado de abandono.

Por falta de sistemas de água, as populações dessas zonas, em particular do Curoca, percorrem dezenas de quilómetros para encontrar pequenos poços que ainda conservam um pouco de água, resultante das chuvas da época anterior.

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Nos municípios de Ombadja, Cuanhama, Cahama e Namacunde, além do recurso a pequenos poços, muitos deles com mais lama do que água, a população socorre-se às cacimbas. Nas referidas localidades há relatos de desabamento de cacimbas mal feitas, que muitas vezes provocam vítimas mortais.

O rei de Ombala de Onaluheque, município de Ombadja, Mário Satyipamba, disse que na sua localidade o deslizamento de terras no interior das cacimbas já causou a morte de uma pessoa e o ferimento de duas outras.

Obras paradas

Várias obras de impacto social estão paralisadas na província do Cunene, devido à crise financeira que afecta o país. Na cidade de Ondjiva, por exemplo, estão paralisadas as obras de uma escola de 26 salas de aula de aula, no bairro Kashila, e outra de 24 salas no bairro Kaculuvale, desde 2016.

Ainda na cidade de Ondjiva está por concluir um edifício para albergar doze departamentos provinciais e uma quadra polidesportiva no bairro Kashila. Está por apetrechar o Hospital Municipal do Cuanhama e a casa da cultura, esta última com múltiplas funções e obras concluídas há mais de
três anos.

Na povoação de Santa Clara, município de Namacunde, não foi concluída uma escola para o ensino primário, de 24 salas, o que faz com que muitos alunos fiquem fora do sistema de ensino ou estudem ao ar livre.

Na sede municipal de Ombadja estão paralisadas as obras na repartição fiscal, assim como do palácio da justiça, que tiveram início em 2010. Uma vez concluído, o palácio contribuiria no descongestionamento da cidade capital do Cunene, quanto aos serviços de registo civil, identificação, notariado, conservatória, tribunal e muitos outros serviços. Estão igualmente paralisadas as obras de asfaltagem dos troços Otchindjau/Oncocua, de 66 quilómetros, Xangongo/ Calueque, de 88 quilómetros, Ondjiva/Omala, de 80, bem como o de Ondjiva/Omdala-yo-Mungo, de 72 quilómetros.

Segundo o vice-governador do Cunene para o Sector Técnico e Infra-estruturas, a paralisação das obras devese ao incumprimento, por
um lado pelo dono da obra, o Governo, por falta de cabimentação financeira, e por outro, pelos empreiteiros, devido à escassez dos materiais de construção e a consequente subida dos preços.

Édio Sambwaco disse que um dos troços que deve merecer intervenção urgente é a via Xangongo/Canganda, devido a sua degradação, o que tem criado grandes embaraços à população no escoamento de produtos cultivados na cintura verde daquela zona nor te do município de Ombadja.

Fonte: Jornal de Angola

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