De volta à China

Além das polêmicas exonerações e das mediáticas detenções, o primeiro ano de governação de João Manuel Lourenço, Presidente da República, terá sido marcado também pelas suas saídas ao exterior. O homem tem se mexido muito no estrangeiro”. Chegou mesmo aficar mais de 14 dias fora do país, quando, fazendo o uso da aeronave mais cara do mundo, encetou uma “tour” por Paris, Madrid e Bruxelas, respectivamente. Uma deslocação que terá custado aproximadamente 21, 504,000 ao Estado Angolano, pois, estima-se, o aluguer da aeronave em questão ronda os 64,000 por hora. João Lourenço visitara também, noutros momentos, alguns países africanos como as vizinhas Namíbia e Africa do Sul.

Entretanto, quase 40 dias depois de ter participado na terceira cimeira do Fórum de Cooperação “África-China”, o líder angolano regressou à Pequim para reencontrar o seu homólogo, Xi Jinping. Sobre a mesa esteve, entre outros assuntos, a negociação de empréstimos na ordem dos 2.000 milhões de euros. Na visita que ontem terminou, o Presidente angolano manifestou o desejo de ver expandido o investimento direto de empresas chineses na produção de bens de consumo.

No que toca ao êxito dos programas bilaterais de cooperação (África-China), João Lourenço disse «haver a necessidade do estabelecimento de mecanismos práticos que possibilitem o acesso aos recursos financeiros necessários para o sucesso das medidas de políticas estabelecidas pelas nações africanas».

Ora, nós discordamos desta visão do líder angolano. A disponibilização ou a facilidade no acesso aos recursos financeiros sem muito ou nenhum rigor, tem sido a máxima das relações sino-africanas. Os chineses concedem créditos aos africanos sem condições se não a de incluírem cidadãos daquele país na execução de alguns (muitos) dos projectos, deixando a critério do estado requerente a forma de execução ou aplicação dos fundos. A China não quer saber. Não monitoriza à aplicação dos montantes que empresta, isto faz do gigante asiático um ponto atrativo para os vários e, às vezes, corruptos líderes africanos. E desta forma, compreende-se que esta cooperação, que há dez anos intensificou-se, não evidencie grandes ganhos, não reluza desenvolvimento palpável do lado africano. Assim, ilustrada também estará sua ineficiência. Pois, as cooperações medem-se pelo nível de desenvolvimento e/ou ganhos que provocam em todas as partes intervenientes.

Conquanto, ao contrário daqueles mais pessimistas, acreditamos que as relações entre os estados africanos e o gigante asiático poderão, sim, ser mutuamente vantajosas se ponderadas às formas e meios em que estasm estado a acontecer. Maior policiamento na execução e/ou implementação dos projectos para os quais a China disponibiliza os seus yuans precisa-se. Pequim precisa exigir transparência nos países que queiram obter os seus empréstimos. A exemplo do que fazem os estados e organizações ocidentais como o Fundo Monetário Internacional, que atualmente negoceia com o Governo Angolano um financiamento de cercar 4,500 milhões de dólares e obriga o solicitante a cumprir com alguns pressupostos se quiser pôr a mão naquela massa”.

Por outro lado, esperamos mudança na forma como as lideranças africanas manuseiam os fundos públicos. Nossos governantes precisam dotar-se de alguma honestidade e desfazerem-se dos laços que, persistentemente, mantêm com a corrupção. Finalmente, com o novo ciclo político que se iniciara, sobre tudo, na região austral do continente – com o emergir de líderes e governos que parecem interessados na transparência governativa e na justiça social –, ficamos curiosos a assistir às movimentações politico-governativas em países como a Africa do Sul, Angola e Zimbabué, esperando que as boas intenções destes governos se materializem na melhoria de vida das suas gentes.

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