Angola: Deputada Tchizé dos Santos pede separação do cargo do líder do MPLA

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A deputada angolana Welwitschea ‘Tchizé’ do Santos, filha do ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, defendeu um cenário em que o líder do MPLA não seja o chefe de Estado, disponibilizando-se para dar o seu contributo “em qualquer posição”.

A posição de ‘Tchizé’ do Santos, empresária e membro do Comité Central do MPLA, filha de José Eduardo dos Santos, ex-chefe de Estado angolano (1979 a 2017) e presidente do partido, foi transmitida em declarações à Lusa, a propósito das críticas à alegada bicefalia existente no partido, com a ascensão de João Lourenço a Presidente da República.

“Espero poder dar o meu contributo em qualquer posição no partido. Sou uma militante de base e repito: no MPLA obedecemos sempre às deliberações das nossas estruturas superiores: O Comité Central e o Congresso”, afirmou ‘Tchizé’ do Santos, considerada a “mais política” dos filhos de José Eduardo dos Santos.

Numa altura em que o partido discute abertamente a sucessão de José Eduardo dos Santos — a ter lugar nos próximos meses -, questionada pela Lusa sobre a sua disponibilidade para concorrer à liderança do MPLA, a deputada é lacónica:

“No MPLA há disciplina e eu como militante cumpro as deliberações dos órgãos superiores do partido. Quando me perguntam se tenho ‘grupo’ ou ‘ala’, costumo dizer que sou da ‘ala dos estatutos’, que é a ala da maioria dos militantes, que somos pessoas de boa-fé. O futuro a Deus pertence”.

Com as críticas à alegada bicefalia no partido no poder em Angola desde 1975 a repetirem-se nas últimas semanas, tendo em conta que José Eduardo dos Santos continua a liderar o MPLA com mandato até 2021 e João Lourenço é vice-presidente mas também chefe de Estado, a deputada e membro do Comité Central diz que esta é uma oportunidade para operar a “promessa eleitoral” de despartidarização do Estado.

“A Constituição é clara: o chefe de Estado, o Presidente da República, é o cabeça de lista do partido mais votado. Isto é, o candidato número um da lista de deputados do partido mais votado. Eleito Presidente da República, o chefe de Estado devia afastar-se de quaisquer responsabilidades partidárias, de modo a poder cumprir e fazer ‘cumprir a Constituição da República e a lei’, tal como o consta do juramento que o Presidente da República de Angola e os deputados fazem aquando da sua na tomada de posse”, aponta.

Para justificar esta posição, ‘Tchizé’ do Santos refere que a Constituição da República, que foi aprovada pelo parlamento em 2010, prevê forças armadas apartidárias e que o Presidente da República é precisamente o Comandante em Chefe das Forças Armadas Angolanas.

“Não deveríamos então aproveitar o facto do Presidente João Lourenço ser o único Presidente de Angola a ascender a este cargo para um primeiro mandato, longe do sistema de partido único e já num regime democrático, para se fazer avançar o país a este nível, evitando uma violação à lei militar, e quiçá à Constituição da República, e garantir que sejam outros militantes que não o Presidente da República a concorrer à liderança de partidos políticos? Desta forma, claramente o MPLA estaria a abrir caminho para uma maior democracia interna em todos partidos políticos de Angola e no país em geral”, defende.

Embora sem nunca esclarecer qualquer pretensão dentro do partido, no ano em que completa 40 anos de idade, a deputada e filha de José Eduardo dos Santos assume sem rodeios ser “alguém que de facto pode fazer uma radiografia bem feita dos meandros da política angolana, quer do MPLA, quer dos que por ele se sentiam excluídos ou marginalizados”.

“Nunca houve ninguém na minha posição na história política angolana. Sou aquilo que eu sou e analiso as situações fruto de tudo o que vi e vivi de perto. Creio que é chegado o momento de passarem a ver-me com olhos de ver, como alguém que inevitavelmente ganhou experiência política e experiência e uma maturidade precoce nos corredores da política nacional, fruto da vida que tive desde que nasci, tendo ingressado as fileiras da Organização de Pioneiros do MPLA, aos cinco anos de idade”, aponta.

Ainda assim, e sem nunca esquecer o convívio com a política angolana, que diz ter mantido no palácio presidencial, Welwitschea ‘Tchizé’ do Santos assume: “Estou disposta ao que for necessário e continuar a apoiar o executivo do Presidente João Lourenço, fazendo o meu trabalho como quadro do MPLA, visando a coesão e uma maior inclusão de jovens quadros e mulheres capazes em todas as estruturas do partido”.

Fonte: Lusa

1 comments

É né??? Depois do papá sair do trono… já não achas piada que outro seja Rei ocupando o mesmo trono.
Haja paciência para esta família…!

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