Descoberto um pequeno primata em Angola e já está ameaçado

Identificada uma nova espécie de primata perto de Luanda, o gálago-de-cumbira, e isso é uma boa notícia . A má notícia é que este animal nocturno que come insectos encontra-se em situação vulnerável.

Numa noite de 2013, um grupo de cientistas fazia observações na natureza e ouviu uns sons diferentes na floresta de Cumbira, no Noroeste de Angola. Perceberam de imediato que eram vocalizações de um animal e que o volume do som ia crescendo . Logo lhes pareceu que deveria ser um pequeno gálago, um género de mamífero primata de quatro patas e insectívoro. Estavam certos. O som era mesmo de um gálago, mas viriam a descobrir que é o maior dos que os gálagos já conhecidos . É uma nova espécie, agora designada cientificamente ” Galagoides kumbirensis”, ou gálago-de-cumbira.

Nos últimos 50 anos, o número de espécies de gálagos descritos em África aumentou de seis para 19. Desde 2000 já foram descritas duas espécies destes primatas nocturnos. Ainda em Fevereiro, uma delas foi revelada na revista American Journal of Physical Anthropology.

A equipa não ficou pela floresta de Cumbira. Ao todo, identificou 36 exemplares da nova espécie não só nessa floresta ( 17 exemplares), mas também perto da cidade de Bimbe(1) e na floresta do Leste da Escarpa de Angola ( 18). Os cientistas gravaram 37 vocalizações do gálago-de-cumbira e tiraram-lhe fotografias com as mãos agarradas às árvores, além de registos comportamentos .

Esta até nem foi a primeira vez que a espécie foi vista. No Museu de História Natural de Chicago ( EUA) há três exemplares que tinham sido recolhidos em 1954. Só agora foram identificados através da comparação com as fotografias de Angola. Percebeu-se que esta espécie tem um tamanho semelhante aos dos esquilos e que, entre os gálagos, é um ” gigante” . O focinho é maior do que o de outras espécies ( quatro centímetros ). Da cabeça à cauda, mede cerca de 20 centímetros , e só a cauda pode ter 24 centímetros .

O focinho é rosa na parte de baixo e escuro em cima. Os olhos castanhos são bem arregalados e preenchidos por um volumoso círculo branco ( para verem bem à noite) . O ventre é amarelo cremoso e as costas e as orelhas são acinzentadas, tal como as mãos fitinhas com que se fixam às árvores.

Agarrada a esta espécie veio outra preocupação : a sua conservação . Cumbira não é uma zona protegida e a desflorestação está a ocorrer a um nível elevado. A desflorestação é uma ameaça. A descoberta deste primata endêmico mostra a importância dos ecossistemas angolanos e a necessidade de medidas urgentes de conservação nesta região.

Fonte : Público.

 

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