Descontentamento pela morte de Sílvio Dala leva médicos a decretarem luto nacional

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Os médicos de todas as unidades hospitalares angolanas observam luto nacional a partir desta segunda-feira, 7, como sinal de solidariedade e descontentamento pela morte, no dia 1 de Setembro, do médico Sílvio Dala, de 35 anos, no interior de uma esquadra da Polícia Nacional, no bairro Rocha Pinto, em Luanda.

De acordo com o documento do Sindicato dos Médicos Angolanos (SINMEA) a que a Vivências Press News teve acesso, os profissionais estão mobilizados para, a partir de hoje, observarem um período de luto, colocando uma faixa ou camisola preta para demonstrar a solidariedade da classe e o seu descontentamento “pela morte prematura do Dr. Sílvio Dala”. Adriano Manuel, presidente do SNMEA avança que, “o luto declarado pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola é também uma forma de homenagear o médico Sílvio Dala, que deixou viúva e filhos na flor da idade”.

O sindicalista avança que o Sindicato Nacional dos Médicos de Angola está a criar as condições para a realização no próximo sábado, 12, de uma “manifestação de encerramento do óbito”, lembrando que o SINMEA e a família do falecido vão de certeza, levar o caso até às últimas consequências, estando a ser preparada toda a documentação, incluindo as provas que possuem sobre as verdadeiras causas da morte de Sílvio Dala, tanto do ponto de vista anatómico, como das declarações “contraditórias apresentadas pela Polícia Nacional”.

“As informações apresentadas publicamente pela Polícia Nacional, através do comissário Valdemar José, não condizem com a verdade e encerram alguma inquietação”, acusou o sindicalista.

O porta-voz do Ministério do Interior, comissário Waldemar José fez saber que o médico foi interpelado por efectivos da Polícia Nacional, por volta das 17h50, na zona do Rocha Pinto, por não fazer uso da máscara facial dentro da sua viatura.

Segundo Waldemar José, por violação do número 2, do artigo 4, do Decreto Presidencial 212/20, o cidadão foi convidado a deslocar-se à unidade policial mais próxima, onde foi elaborado o auto de notícia e de transgressão, sendo depois disso obrigado a pagar 5.000 kwanzas de multa.

“Como na esquadra não havia TPA para o efeito fornecido pela AGT, nem um multicaixa nas proximidades, o cidadão efectuou uma chamada para alguém próximo pagar e levar à esquadra o comprovativo.”

Waldemar José afirmou que enquanto se aguardava pelo comprovativo, o médico sentiu-se mal e desfaleceu, embatendo com a cabeça no chão, provocando ligeiras escoriações, sendo socorrido para receber assistência no Hospital do Prenda, mas acabou por morrer no meio do trajecto.

Explicou ainda que o médico legista, que fez a autópsia, concluiu que a causa da morte é patológica. Ou seja, o médico padecia de uma doença, que Waldemar José não revelou, “por respeito aos direitos de personalidade e respeito pela família”.

O responsável assegurou que “a família assistiu à realização da autópsia, na presença de um procurador, no final da qual o médico explicou que a morte não tem a ver com as escoriações”.

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