Dia 1: Deambulando pelo Aeroporto de Barajas

Viajar em companhias “low cost” tem muitas vezes os seus custos, principalmente quando há um imprevisto ou uma alteração qualquer. Deixei o aeroporto Humberto Delgado em Lisboa com escala em Madrid e para depois fazer a uma paragem em Roma em trânsito para Florença . Segundo a companhia aérea em Lisboa, o talão de embarque seria emitido Alitalia em Madrid e realmente foi aí que a cena começou a “bandeirar”.

 

 

No aeroporto de Barajas (Madrid), o tipo da assistência enviou-me para a porta 82, o local de onde partiríamos para Roma. Depois de algum tempo de espera, fui informado que teria de sair do terminal 3 (onde me encontrava ) e ir para o terminal 2 resolver o assunto do talão de embarque. Quem conhece Barajas sabe bem das distâncias entre os terminais, mesmo até quem tem pernas longas e grandes passadas como eu leva o seu tempo. Acaba na cena do costume : as companhias vai “empurrando” o passageiro de um lado para o outro e nada fica resolvido. No final das contas, lá estava eu literalmente “perdido” e deambulando por Barajas. Como a companhia só tinha voo disponível para o dia seguinte tive de procurar alternativas nos transportes ferroviários e até rodoviários. Não fui bem sucedido. Tive de procurar outra companhia “low cost” (a Ryanair), comprar um novo bilhete e esperar o horário de partida. Começava uma “long walk” e já no terminal 1 do aeroporto de Barajas.

PARA ROMA, RAPIDAMENTE E EM FORÇA!

Realmente, nunca pensei que uma frase de Salazar acabasse por ser tão inspiradora e reveladora para o meu caso. Retirado do seu “Para Angola, rapidamente e em força!”, esta adaptação “Para Roma, rapidamente e em força !”, serviu para manter viva a ideia e convicção de que teria de escalar Roma ainda naquele dia e depois pegar o comboio para Florença. A expressão em inglês “By any means necessary” também ajudava. Todas as formas eram válidas para chegar até à capital do antigo império romano. Estava também em permanente contacto com o amigo Matias Mesquita da Casa de Angola em Itália, o meu generoso anfitrião.

 

O aeroporto de Barajas é um mundo dentro de vários mundos. Tem quase sempre um movimento frénetico com alguns e curtos momentos suaves. São passageiros de várias partes do mundo e que conversam em todas as línguas possíveis e imaginárias . Fui passando o tempo conversando com a Esperança, um assistente de terra da Ryanair em Barajas. A jovem Esperança é natural da Guinné -Equatorial (uma antiga colónia espanhola em África. Pais que foi descoberto por navegadores portugueses), e vive na esperança de dias melhores para o seu país e as suas gentes. Estando ao lado de uma simpática Esperança ia mantendo viva a esperança de escalar Roma naquele dia.

A minha “romaria” até Roma teve o seu término no aeroporto de Roma Ciampino. Foram duas horas e meia de viagem ao lado de uma alegre família italiana, eles regressavam das férias em Espanha e acabei numa espécie de ajudante de fotográfo para a menina de 10 anos, que adorava tirar fotos da paisagem aérea.

FINALMENTE, A BELA ROMA.

“Vim, vi e venci” disse baixinho após ter chegado ao aeroporto de Roma Ciampino . Lá fora estava o migo Fernando Costa para me receber, lá acabou sendo o meu “cicerone” nesta curta passagem por Roma. A estação de “Roma Termini” é uma combinação muito funcional de comboios e autocarros que partem para todos os cantos desta bela Itália, existindo também um terminal para o Metro. Regista também um forte dispositivo de segurança com polícias e militares armados até aos dentes. Foi a minha paragem até conseguir um comboio para Florença (que só partiu na manhã desta segunda-feira, 05 de Novembro).

 

 

Já estou em Florença e hoje é o primeiro dia das minhas apresentações . Florença será a minha casa durante os próximos três dias. Fica aqui a odisseia deste Angolano Vero que mostra na Itália, uma Angola que acontece fora de Angola .

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