Direitos humanos lei universal

As relações entre África e Europa continuam marcadas por uma espécie de bipolaridade ou, no mínimo, por saltos de humor semelhantes aos de pessoas que, de tanto viverem juntas, precisam ver outras caras. Porém, quando procuram outras caras sentem saudades da cara anterior e voltam para casa ou para a mesma relação de longos anos.
Todas as comparações têm limites e o exemplo dado no paragrafo anterior não explica tudo, talvez nem mesmo metade da autêntica montanha russa desta relação intercontinental. Na verdade, as caras da Europa e África não são as mesmas e, nos mais democráticos, mudam regularmente.

São essas caras que nos interessam – as caras das sociedades a sul e a norte do Mediterrâneo.

A recente eleição de E. Macron revelou um líder político que para África tem o mérito de ter dito, com todas as letras, que o colonialismo foi um crime contra a humanidade. Teve coragem e, ao contrário do que disse a sua adversária favorável ao colonialismo (e a muitas coisas do mesmo gabarito) ele não acusou a França. Acusou aqueles que praticaram o colonialismo. Nós, durante a luta pela independência das ex colónias portuguesas tivemos sempre a precaução de dizer que o povo português, não só não era responsável pela opressão colonial, como ainda por cima sofria opressão também.

Estas duas precisões são importantes para contrapor a duas tendências nefastas. Na Europa os setores do rancor contra África e em África os que querem camuflar os seus fracassos com desculpas do passado. Ambos têm como motivação isso mesmo: o passado e, cada um à sua maneira, são racistas.

Chegamos num momento em que os desafios mundiais mudaram de figura. Conduzir relações internacionais ou gestões internas na base do slogan propagandístico é estupidez e, a médio prazo, suicídio. Agora temos de ter a inteligência das afinidades e encontrar os caminhos da eficácia. Aquilo que nos fará sair das crises, das precariedades e dos constantes surtos de mau humor.

Há um conjunto de princípios não negociáveis. Não se pode negociar direitos humanos, nem considerar que tais direitos valem para partes da humanidade e não para ela toda. Com base neste raciocínio o entendimento é mais simples, ponto de partida para fazer do mundo um local bom para viver. É o combate que continua a valer a pena.