Economista Daniel Bessa: “Queremos continuar a ser a lavandaria de Angola e isso envergonha-me”

A participar na conferência “Portugal XXI: País de futuro”, o economista Daniel Bessa criticou posicionamento do governo português em relação a Angola.

“Como será Portugal daqui a dez anos e que país queremos ser em 2030?” foram as duas questões que conduziram o debate do primeiro painel da conferência “Portugal XXI: País de futuro”, que decorreu este sábado em Cascais. A primeira intervenção contou com a participação do ex-ministro António Vitorino, o antigo líder do PSD Luís Marques Mendes, o economista Daniel Bessa e João Nuno Calvão da Silva.

A relação entre Portugal e Angola foi um dos temas que surgiu no debate. “O tema da corrupção cruza-se com os temas dos valores. Parece que queremos continuar a ser a lavandaria de Angola e isso envergonha-me”, referiu Daniel Bessa. Em contraponto, Luís Marques Mendes discordou e acredita que “a relação de Portugal com Angola é uma mais-valia”.

Sobre a relação entre Portugal e Angola, Luís Marques Mendes acredita que “Portugal não tem que ter nenhum complexo de inferioridade” e “as questões de justiça [entre os dois países] devem ser tratadas de acordo com o Estado de direito”.

Para o painel, a legislatura até 2030 “é muito importante e vai ter uma importância capital”. Se as políticas não forem ajustadas, Portugal corre um sério risco de entrar num ciclo de “ingovernabilidade”. Portugal não está imune aos riscos que poderá trazer a próxima década, por isso “o mais importante ainda é saber quais os desafios mais importantes, ou as prioridades fundamentais para este período [até 2030]”, sublinhou Marques Mendes.

Desafios para a próxima década

O painel chegou a consenso relativamente aos maiores desafios que Portugal enfrenta na próxima década: a possível degradação do sistema social e político, a progressão de movimentos populistas que ameaçam a democracia, e a abstenção no voto.

Para o ex-ministro, António Vitorino, Portugal tem um problema: “a impermanência tática e conjuntural”, por exemplo “na relação transatlântica, que damos por adquirida”, e à possível desestabilização da “democracia liberal” em Portugal.

Para o economista Daniel Bessa, “temos estado do lado certo”, mas ainda é evidente o “complexo de inferioridade” no país.

“É importante que Portugal se vire para uma economia direcionada para o exterior, pois é um fator que vai influenciar a qualidade da democracia”. O país tem que apostar nas exportações, e ainda no investimento estrangeiro nacional que promova essa exportação.

Fonte: DV

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