Dia 5: Em Roma sê romano em Florença sê vegetariano

Em Roma sê romano, em Florença sê vegetariano. Os italianos dizem : “Paesi che vai, usanza che trovi”, ou seja, quando vamos a um local devemos respeitar os costumes desse povo e seguir as suas regras. O meu amigo Francisco Cortez Pinto, um professor português da Universidade de Florença, nascido em Leiria mas que vive por estas bandas desde 1983. Ele foi o “culpado” pela minha presença neste típico e acolhedor restaurante vegetariano de Florença, de seu nome “Ill Vegetariano”.
“Se embuti” de um delicioso “piatto toscano”, um prato típico da Toscana : Fagioli all Uccelleto com Patate Arrosto e ainda Bietola Saltata. Bem regado com um bom vinho da casta dos Zanobini, o local onde a turma da Carga Pesada é constantemente apanhada em flagrante “delitro”. E diz o ditado : “Em Roma sê romano”, e eu acrescento : ” Em Florença sê vegetariano”. Há uma diversidade de restaurantes vegetarianos com pratos convidativos e preços apelativos . São pratos muito energéticos e saudáveis. Aqui em Florença, estes restaurantes são frequentados por pessoas dos mais variados extratos sociais, pessoas que vão procurando assumir hábitos alimentares saudáveis. Ser vegetariano é adoptar um interessante e até saudável estilo de vida. E há sempre nestes restaurantes funcionários bastante simpáticos no atendimento, pessoal sempre disponível a explicar as vantagens em ser “vegano”. Ao menos em Florença fui vegetariano, estando em Lisboa já não vos posso prometer.
Em Florença (tal como em toda a Itália), os donos dos restaurantes são verdadeiras estrelas. São pessoas muito dedicadas e que fazem do seu negócio um delicioso prazer, uma alegre forma de estar na vida. Os restaurantes por aqui têm um conceito muito intimista, muito familiar. Além de controlarem todo o movimento do pessoal (cozinha, caixa, serviço de mesas etc..), estes donos de restaurantes arranjam tempo para passar de mesa em mesa afim de estabelecerem diálogos com os clientes. Nos seus restaurantes deixamos de ser meros clientes e passamos a ser membros de uma grande família .
O Zio Gigi ( de camisola preta), é dono do restaurante com o mesmo nome. Gigi é diminutivo de Luigi (Luis em português). O homem canta, declama poesia e tem apurado sentido de humor. Ele faz do seu restaurante um palco de boa música (cantada por ele, claro), de stand up comedy. O Gigi é bastante extrovertido e tem uma alegria contagiante. Quando chego ao seu restaurante, lá está ele a gritar bem alto : ” Mio fratello é arrivato”, qualquer coisa como : “acaba de chegar um irmão meu”, e assim consegue transferir toda atenção para este que aqui vos escreve. O homem é um anfitrião por excelência e consegue transferir tudo isso para o seu staff. É uma casa acolhedora e com boa comida .
O Salvatore Fontana é dono do restaurante Templari ( Templários) e é um pouco mais calmo que o Gigi. É menos extrovertido mas muito educado e simpático. É o dono do restaurante onde trabalha um angolano, o meu amigo José Mesquita. Há sempre uma história que gostam de contar, uma trajectória que gostam de partilhar, uma inspiração que passam através do exemplo. Em Itália, os donos dos restaurantes são as verdadeiras estrelas de um palco que dividem com todos. Espalham e contagiam todos com o seu brilho pessoal e brio profissional. Somos projectados para uma dimensão gastrónomica com saberes, sabores e valores nunca dantes imaginados.
As bicicletas são uma imagem de marca de Florença. Há bicicletas de todos os tipos e gostos por aqui. Elas fazem parte do modus vivendi dos habitantes de Florença. Usam as bicicletas para se descolarem ao trabalho, para irem à universidade , para o transporte de produtos, para lazer e prazer. Existem ciclovias e locais para se parquear as tais bicicletas. As oficinas de reparação de bicicletas são também muito procuradas. Mas há também os “amigos do alheio” que estão sempre atentos e, lá vão fazendo das suas. É muito comum o roubo de bicicletas e componentes . Nem sempre as bicicletas estão seguras na rua. Mas Florença é uma cidade de pessoas que gostam de boas pedaladas da vida. É uma cidade equilibrada tal como o equilíbrio que se exige para se estar aos comandos de uma bicicleta . E a vida em Florença segue ao ritmo das pedaladas de uma bicicleta.
Portanto, Florença é alimentação saudável, é de restaurantes com gestores simpáticos e acolhedores. É uma cidade que vive ao ritmo de umas boas pedaladas. São suaves e frenéticas pedaladas da vida . E assim vou sendo por cá um saudável….Italiano Vero.
Um abraço e boa leitura!

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