Emirates reduz voos para Luanda e sai da gestão da TAAG 

A Emirates anunciou, esta segunda-feira, 10 de Julho, o “fim imediato” do contrato de concessão para a gestão da companhia de bandeira angolana TAAG face ” as dificuldades prolongadas que tem enfrentado no repatriamento das receitas ” das vendas em Angola.

Numa declaração enviada à Lusa, em Luanda, a transportadora refere igualmente que está a “tomar medidas no sentido de reduzir a sua presença em Angola” e que a partir de hoje, dia 10 de Julho, reduz de cinco para três o número de frequências semanais para Luanda.

Devido à crise financeira e económica decorrente da quebra nas receitas com a exportação de petróleo que Angola vive desde 2014, várias transportadoras aéreas têm vindo a queixarem-se da “dificuldade em repatriar dividendos das vendas em Angola, por falta de divisas”.

“Esta questão tem-se mantido sem solução, apesar de inúmeros pedidos feitos às autoridades competentes e garantias de que medidas seriam tomadas”, refere a companhia árabe à Lusa.

“Com efeito imediato, a Emirates por fim à sua cooperação com a TAAG – Linhas Aéreas de Angola, ao abrigo de um contrato de concessão de gestão em curso desde Setembro de 2014”, acrescenta a empresa, com sede nos Emirados Árabes Unidos.

“Esperamos que a questão do repatriamento de fundos seja resolvida o mais cedo possível, de modo que as operações comerciais possam ser retomadas de acordo com a demanda “, refere ainda a companhia.

O contrato de gestão assinado entre o Governo angolano e a Emirates prevê a introdução de uma “gestão profissional de nível internacional ” na TAAG, a melhoria “substancial da qualidade do serviço prestado” e o saneamento financeiro da companhia angolana, que em 2014 registou prejuízos de 99 milhões de dólares (88 milhões de euros).

Em contrapartida, no âmbito do Contrato de Gestão da transportadora pública angolana celebrado com a Emirates Airlines para o período entre 2015 e 2019, prevê-se dentro de quatro anos resultados operacionais positivos de 100 milhões de dólares.

Em entrevista à agência Lusa no final de 2016, o PCA da TAAG, Peter Hill, indicado para o cargo pela Emirates ao abrigo do acordo com o Governo angolano, anunciou ter cortado 70 milhões de dólares (62 milhões de euros) em custos no primeiro ano daquela gestão.

“Nós dissemos, no nosso plano de negócios, que em três anos íamos reduzir custos em 100 milhões de dólares [89 milhões de euros] e logo no primeiro ano já poupamos 70 milhões de dólares [62 milhões de euros]. Por isso estamos muito contentes e posso dizer que as finanças da companhia estão a melhorar”, explicou.

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