Entre o sono e o sonho…

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Entre o sono e o sonho, estava eu, haurindo as “malambas” dos dias em que me esqueci da mente almofadar, dos olhos fechar e do corpo como um fato amarrotado sobre a cama jazer. Eis que, emergiu no sono do sonho ou sonho do sono “o rapaz”, vestido de nada, com os olhos cheios do desespero e da fome que lhe consumia o sangue. Ele gritou sem voz, mas gritou alto, murmurou palavras que não se ouviam, mas que subjaziam ao diálogo de um guião qualquer. “Os ventos” conseguiram perceber os bafejos expelidos de suas resfolegantes vias. Porém, bisonhos que são os ventos, não souberam replicar, responder de resposta, hum hum… nem já…!

“O silêncio”, mais solidário, respondeu…também ciciou aos ventos e tudo o que os envolvia, falou alto o silêncio, falou frases de zuelar, frases de se expressar, muitas frases, muitas frases, mas poucas palavras. 

Investiu, o rapaz, toda a atenção que ostentava, mas tudo o que ouviu foi silêncio, o silêncio falou, falou alto o silêncio, falou frases de zuelar, frases de se expressar, muitas, muitas frases, mas poucas palavras. 

… Será… penso os ventos…ou penso a resposta do sábio silêncio, questionou-se o rapaz…Será ripostamos o rapaz ou aceitamos a resposta do silêncio, interrogaram-se os ventos… as indagações misturaram-se ao mistério que sinicamente vestia o ambiente, intensificando o fétido cheiro imanado da penúria que as nuvens no céu pintara.

Fez-se luz, uma luz preta que iluminava os pés descalços do rapaz que, enchia garrafas de miséria e as esvaziava a seu  belo contemplar, desfrutava da poeira que só as ruas do musseque lhe ofereciam, inalou o fumo dos motores, dos carros e geradores, do tabaco e da liamba tudo a um tempo só… um qualquer obscuro foi iluminado no interior do rapaz, reflexos da luz preta que, conseguia ser mais negra que o próprio silêncio… o preto da luz projectou a desnutrição sangrenta do esgargalado esqueleto do rapaz.

E o rapaz voltou a gritar, sem voz, mas gritou alto, os bisonhos ventos lhe ouviram mesmo, mas só o silêncio se manifestou, falou alto o silêncio, falou frases de zuelar, frases de se expressar, muitas, muitas frases, mas poucas palavras…“palavras que não se ouviam, mas que subjaziam ao diálogo de um guião qualquer.”

“Visões emergirão, insignificantes parecerão, até depreendermos-lhes a verdadeira razão.”

 

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