Esperançosos pensadores Angolanos

O NOVO JORNAL de 1 de Novembro último traz uma importante entrevista de Sérgio Dundão sobre o momento político actual (e não só). Sérgio Dundão é um jovem e brilhante investigador angolano que, a par de outros da sua geração, faz abordagens sérias sobre várias questões nacionais. O entrevistador foi Nok Nogueira, outro talentoso jovem. Às densas perguntas do entrevistador, respondeu o investigador com substancial saber e clareza.

A análise incidiu sobre o desfasamento entre a expectativa de mudança criada pela postura e discursos de João Lourenço e os resultados obtidos pela governação; os obstáculos que o presidente enfrenta a nível partidário e institucional, quer na escolha de colaboradores, quer no funcionamento do Executivo; a estratégia governativa (ou ausência dela).

publicidade

Sérgio Dundão questiona se estamos perante uma sucessão política ou uma transição política e desenvolve conceitos e argumentos para a sua conclusão. Analisa o papel dos partidos no Estado angolano e a sua natureza.

Quando Nok Nogueira lhe fala de ausência, no país, de uma agenda de consenso nacional, Dundão responde que “a razão de não existir consenso resulta de uma perspectiva e comportamento das elites” e explica.

Na resposta à última pergunta do entrevistador sobre o maior risco político para Angola, Sérgio Dundão afirma: “O maior risco de um país é deixar de acreditar num futuro e apenas concentrar-se a gerir o presente. Por isso, seria vital nesta fase de crises ter uma classe política à altura do contexto, porque, caso contrário, o país fica em xeque quanto ao rumo a tomar. De modo que um fracasso político afecta toda a vida colectiva e coloca em causa a comunidade política. Por isso, o maior risco é a descrença no futuro que provoca uma desafeição com a política, por conseguinte, com o país”.

publicidade

Faça já a sua assinatura: formulário de assinatura
Contactos editoriais: jornalkandandu@gmail.com

Publicidade: vivenviaspress@gmail.com

Subscrevo inteiramente estas sábias palavras de Sérgio Dundão, tanto mais que, neste momento, parece ainda não haver o necessário sobressalto dos vários sectores da sociedade civil angolana para se organizarem em torno dos seus interesses e defendê-los dentro dos limites do interesse colectivo nacional; colaborarem na urgente mudança a empreender no país, equacionando problemas, propondo soluções, escrutinando a governação.

Resta a esperança de que o sector académico, sempre tão pouco autónomo do poder político, produza mais talentos e autonomia de pensamento de que Sérgio Dundão é exemplo. E, além disso, se criem condições para que os diferentes pensadores não ajam dispersos (como tem sido habitual) mas constituam uma substancial massa crítica pensante.

Deixe o seu comentário