Executivo angolano está a acompanhar caso de violência policial no Bairro da Jamaica

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De Luanda vinha o aviso de que o caso, que resultou em agressões à seis membros de uma família angolana, um dos quais detido e libertado 24 horas depois, não tinha passado ao lado do Palácio da Cidade Alta (sede do poder político) e do MIREX (sede do Ministério das Relações Exteriores).

E não passou. Ainda que não se tenha confirmado a notícia avançada pela Rádio Nacional de Angola (RNA), que dava conta do envio de uma nota de protesto por parte de Luanda. O Executivo liderado por João Lourenço tem conhecimento do assunto e que o mesmo está a ser acompanhado pela missão consular de Angola em Lisboa.

A apresentação de um protesto formal junto das autoridades portuguesas foi uma hipótese levantada por Luanda, mas, que depois terá sido descartada, sendo substituída por um comunicado oficial da Missão Diplomática de Angola em Portugal.

Depois de algumas horas de silêncio sobre a possibilidade de estar a caminho uma reacção formal de Luanda, o ministro português dos Negócios Estrangeiros acabou por reagir , a partir de Bruxelas à hora de almoço.

“Confirmo que não houve protesto formal apresentado pelas autoridades angolanas junto do Estado português, portanto através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, posso confirmar que não houve, falando como estou a falar, às 13:17, hora de Bruxelas, 12:17 hora de Portugal”, disse Augusto Santos Silva à Lusa à margem de um encontro ministerial da União Europeia com a União Africana.

Serviços consulares em Lisboa acompanham o caso e reportam ao Executivo em Luanda

O Executivo angolano terá considerado que neste caso bastava a atenção prestado pelo Consulado-Geral de Angola em Lisboa junto das famílias angolanas e das autoridades portuguesas. No comunicado emitidos noite desta terça-feira, 22, pela Embaixada de Angola em Portugal, destaca o papel e intervenção da missão consular angolana em Lisboa.

“Ao tomar conhecimento dos referidos factos, o Consulado-Geral de Angola em Lisboa, deslocou-se de imediato pela manhã ao local e prestou o apoio consular aos membros da família nos termos da lei e das suas atribuições (…) Estão a ser feitas as averiguações necessárias e apuradas as devidas responsabilidades”, diz o documento.

Numa publicação com o título:” Parabéns ao Consulado de Angola em Lisboa”, a jornalista angolana e líder da Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA), Luzia Moniz, felicitou a instituição angolana pela forma como tem acompanhado o caso ao seu nível e lançou críticas ao Executivo de João Lourenço.

“Parabéns ao Consulado de Angola em Lisboa pela rápida e oportuna intervenção na MAKA da família angolana do musseque Jamaica, agredida por polícias portugueses. Ouviu os agredidos, os chefes dos agressores e disponibilizou-se a ajudar as vítimas. Isto é valorização da comunidade. Coisa que João Lourenço não fez , quando em Novembro visitou Portugal. (…) Quem não valoriza os seus, não pode esperar que outro o faça”, escreve a jornalista e líder associativa angolana.

A Vivências Press News sabe também que os moradores e várias associações de jovens do Bairro Jamaica, terão hoje uma reunião de coordenação para a realização de uma manifestação na tarde desta sexta-feira, 25 de Janeiro, junto da Câmara Municipal do Seixal.

“Vamos reunir quarta-feira para acertar detalhes da manifestação que iremos realizar na tarde de sexta-feira. Partiremos do Bairro da Jamaica e terminaremos na Câmara do Seixal. Será uma manifestação pacífica, cívica e ordeira”, disse um dos organizadores.

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