Falo ou não falo?

Existe um conceito um pouco errado de comunicação. Partimos do princípio que ela serve para que o outro entenda algo, mas constantemente falamos de uma forma que o outro não entende. Falamos sim, para aliviarmos a nossa tensão quando não conseguimos ficar calados. 

Não falamos porque o outro precisa, mas sim porque nós mesmos precisamos. Então acaba por não ser comunicação. 

Isto em si é um problema com algum peso de gravidade, porque uma das coisas que tem definido o fim de muitas relações, amorosas, de amizade e até familiares, é a falta de comunicação. Nem sempre a falta de falar, falar até se fala, mas comunicar é diferente. 

E é por falar sem se comunicar, que se perde muitas oportunidades de se fazer parte da vida de alguém! 

Ok! Isto já está entendido, e acredito que seja difícil não concordar com o que disse até agora… Agora, como é que se resolve isto? 

"Mas Nádia, eu sou mesmo assim! Não consigo não ser sincera! Uma pessoa tem que dizer o que pensa! E a liberdade de expressão?" 

Dizem que a nossa liberdade vai até à falta de liberdade do outro…

Além disso, se estás sempre a falar, ou tens sempre algo para dizer, ou estás sempre a dar algum tipo de opinião, quem é que vai ter paciência para te ouvir? 

Tudo o que é barato existe aos montes. Mas o que tem valor nem sempre se encontra. Se te guardares mais e medires os teus momentos, as pessoas darão mais valor às tuas palavras. 

E mais que isso. Quando falares, fala para o outro. Fala de acordo com o que ele tem capacidade de ouvir, com o que ele está a passar, a sentir, a viver… Isto chama-se sabedoria. Se assim não for, estás só mesmo a mandar coisas para o ar. 

Depois, em vez de te tornares uma pessoa que pode ajudar alguém, tornas-te aquela que ninguém quer estar perto. 

Comunica de forma consciente, pensando no efeito do que vais dizer, e não de forma emotiva, apenas para aliviar o que estás a sentir.  

Depois conta-me qual foi a diferença… Estou curiosa! 

Até para a semana!