Falta de produção têxtil faz Angola consumidor de roupa usada

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Angola tornou-se o maior consumidor de roupa usada (fardo) europeia e americana por falta de produção de têxteis no País, afirmou esta terça-feira, no município de Viana, em Luanda, Adérito Van-Dúnem, director-geral do Instituto de Desenvolvimento Industrial.

As afirmações foram proferidas durante a abertura da Primeira Mesa Redonda sobre a questão da roupa de segunda mão (fardo) em Angola, organizada pela Associação de Defesa do Consumidor (ADECOR) e realizada na Casa da Juventude.

De acordo com Adérito Van-Dúnem, em princípio o fardo veio para suprir a necessidade de vestuário da população mais carenciada, beneficiando de isenções aduaneiras e que pela sua informalidade não contribuía nem para a criação de empregos nem para a arrecadação de receita fiscal para o Estado.

O director-geral do Instituto de Desenvolvimento Industrial disse que actualmente o objectivo está desvirtuado para a prática comercial, passando a importação de roupa de segunda mão sido canalizada para actividade comercial e não para distribuição gratuita ou doação.

Segundo declarou, nos últimos anos a China entrou na concorrência do negócio de roupa usada com preços mais competitivos, tendo diminuído a importação da Europa e dos Estados Unidos da América.

Além disso, Van-Dúnem afirmou que o mercado atingiu todas as classes da sociedade, mesmo as mais abastadas compram roupa usada oriunda da Europa, América e da China.

Angola importa roupa nova no valor cerca de USD 170 milhões e roupa usada estimada em 65 milhões de dólares, recursos que poderiam ser poupados, se as indústrias têxteis do País estivessem a funcionar em pleno

Além disso afirmou que o governo investiu milhões de dólares na reabilitação e na modernização de três unidades industriais que estavam paralisadas (Textang II, África Têxtil e Satec), em função da estratégia de relançamento da indústria têxtil e da fileira do algodão. Estas unidades servirão para dinamizar a indústria têxtil em Angola e relançar o consumo nacional em detrimento do importado.

Por seu lado, Marcelino Caminha, secretário-geral da Associação de Defesa do Consumidor, informou que o objectivo da Mesa Redonda é discutir como contribuir para a produção nacional e reduzir o índice de importação.

O secretário-geral da ADECOR alertou também a população para não comprar produtos em espaços comerciais que não aceitem devolução. Segundo afirmou, desde o segundo semestre de 2019 até Fevereiro deste ano a ADECOR recebeu 257 reclamações de consumidores.

A Mesa Redonda, onde foram discutidos temas como a Situação Legal na Importação de Produtos Usados em Angola e o Papel da Inspecção-Geral do Comércio e na Fiscalização de Produtos Usados em Angola, está inserida no 58.º aniversário do Dia Mundial do Consumidor a assinala dia 15 deste mês.

Com Angop

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