Fernando Miala remodela Serviços de Inteligência

Fernando Garcia Miala está a reestruturar o Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), privilegiando por um modelo de discretas e esporádicas rotação de quadros, ao contrario das tradicionais exonerações/nomeações em bloco. A medida é atribuída a necessidade de “congregar todos” e ao mesmo tempo atenuar eventuais sentimentos de hostilização interna.

Tem sido implacável na questão de deslealde para com os cofres da instituição. Tão logo foi nomeado para chefiar a secreta domestica, suspendeu o director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) e o Director dos Serviços Gerais e Apoio Social, Hermenegildo Nelson por alegadas arbitrariedades. Por outro lado, convidou um veterano e antigo operativo da secreta externa (SIE), identificado por “Bandeira” para interinar o GEPE

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“Bandeira” é de momento o mais influente colaborador de Fernando Miala. Ultimamente tem sido apontado como um dos operativos em ascensão no SINSE. Segundo apurou o Club-K, foi lhe confiado tarefas equiparadas de um coordenador da cadeia hierárquica de directores. As responsabilidades que “Bandeira” passou a exercer na instituição tem dado azo a indicadores que não o distanciam nas opções para poder vir a ser nomeado director geral adjunto para a área administrativa ou operativa em substituição de José Coimbra Baptista Júnior “Coy” e de Manuel Fernandes, respectivamente.

Para além de “Bandeira”, o general Fernando Miala levou também para o SINSE, Miguel Francisco André, seu antigo adjunto, ao tempo do Serviços de Inteligência Externa (SIE). Miguel André, é o novo responsável do Centro de Formação Especial da Comunidade de Inteligência (CFECI). O seu adjunto é José Roldão Teixeira, antigo director dos recursos humanos da instituição.

Mariana de Lourdes Lisboa Filipe

Mariana de Lourdes Lisboa Filipe, única mulher que chefiou um serviço de inteligência em África (antiga chefe do então SINFO, de 2002 – 2006) foi também reabilitada por Fernando Miala depois de ter estado “desaproveitada” como militante da OMA. Foi-lhe confiada a gestão de uma comissão com competências equivalente a “caixa social”. A mesma é coadjuvada por um antigo director dos recursos humanos, identificado por “Geby”.

João Maria de Freitas Neto antigo Director Nacional da Contra Espionagem da era de Sebastião Martins “Potássio” viu também o seu nome nas considerações de Fernando Miala que o chamou para seu assessor. Com uma carreira com créditos firmados na secreta doméstica, Freitas Neto, é um alto funcionário que trabalhou na rede consular de Angola no Brasil. Como director da contra espionagem foi, em 2010, o responsável da desativação de uma rede liderada por um estrangeiro de nacionalidade palestiniana, Hamedo Jaraman, com escritório no bairro cassenda que atentava contra a soberania nacional. A sua última função de destaque no aparelho governamental foi a de director nacional do Serviço de Migração e Estrangeiro (SME).

Na semana passada, registrou-se o afastamento do responsável das finanças do SINSE, Ferreira Neto. Anteriormente foram movimentados quase todos os delegados das províncias restando apenas quatro que ainda não foram mexidos. O até pouco tempo delegado provincial no Cuanza-Norte, Francisco Sebastião “Kito” foi transferido para Luanda como director do Corpo Especial de Fiscalização e Segurança de Diamantes (CSD).

Segundo “outcomes”, refletidos em cenários de evolução política no país, as discretas restruturações levadas a cabo por Fernando Miala, deixado tenso uma ala de altos funcionários da instituição receando pelo seu “dayafter”. Tais receios avolumaram-se depois de a nova direção ter dado como terminada a comissão de serviço de quadros que o antigo director-geral Octávio Barber Lero levou da Polícia Nacional. O caso mais notável foi o de Hermenegildo Nelson, um quadro oriundo do comando geral da Policia Nacional que desde 2015 estava colocado no SINSE como Director dos Serviços Gerais e Apoio Social.

Antevendo eventuais cenários de insatisfação, o general Fernando Miala, segundo o que se vigora na instituição, optou por medidas congregadoras. Ao invés de mandar quadros para casa, optou por envia-lo para exercerem, em comissão de serviços, funções junto a empresas públicas.

De acordo com constatações pertinentes, a nova direção de Fernando Miala tem prestado atenção na promoção de quadros do sexo feminino – embora haja reparos de que algumas das vezes sem olhar para o critério de predicados – muitas das quais foram nomeadas para chefes de departamento. Uma alta funcionaria, Maria da Gloria foi em meados do ano passado indicada para chefiar uma comissão de gestão para redirecionar a instituição mutualista (USOKO), do SINSE, que na gestão anterior sofrera o descaminho de cerca de seis milhões de dólares dos seus cofres.

O Serviço de Inteligência e de Segurança do Estado (SINSE; Ex- SINFO) é o organismo do Estado que integra o sistema de segurança nacional destinado a garantir a segurança interna e necessária a prevenir, impedir e combater actos que pela sua natureza possam perigar o Estado de direito constitucionalmente estabelecido.

Para além do SINSE, Angola tem formalmente mais dois serviço de informação, um dos quais é o SIE -Serviço de Inteligência externa; e o outro é SISM – Serviço de Inteligência e Segurança Militar. A competência para nomeação dos respectivos directores é da exclusividade do Presidente da República.

Fonte: Club-k.net

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