Filosofia africana, desenvolvimento, islamismo

O professor universitário  jubilado Adelino Torres, que participou na luta anticolonial e tem numerosos estudos  e livros editados, nomeadamente sobre Angola, publicou agora o livro intitulado VOZES DO SUL NO MUNDO GLOBAL, ÁFRICA, MÉDIO ORIENTE E OUTROS LUGARES… A obra está dividida em três capítulos: Islamismo Político e modernidade; o apocalipse da razão; Filosofia africana e desenvolvimento.

 

No primeiro e segundo capítulos, o autor mostra como o islamismo radical se foi construindo e alastrando; analisa os poderosos tentáculos financeiros que criou e utiliza para a sua expansão, nomeadamente em África.

 

Afirmando que esse islamismo “é um pensamento totalitário de recusa do outro, obscurantista na medida em que subordina a racionalidade e o próprio procedimento empírico ao arbitrário teológico”, Adelino Torres argumenta sobre racionalismo, modernidade, globalização, apoiando-se em pensadores e dados históricos, económicos e filosóficos.

 

Adelino Torres enfatiza a distinção entre islâmico e islamista; na análise do que é o islamismo político, evoca conceitos e posturas ao longo da história de líderes e filósofos muçulmanos. Revela, com vasta informação, como o islamismo político cresceu e se expande apoiado em fluxos financeiros gerados e manejados por vários países sendo preponderante o papel da Arábia Saudita nesta expansão. Assim nos apercebemos da dimensão do islamismo político no mundo e em África, particularmente na Nigéria e países vizinhos.

 

O terceiro capítulo deste livro intitula-se “Filosofia Africana e desenvolvimento: reflexões preliminares”. Evocando N’Krumah, o autor lembra que o colonialismo “assumiu-se como portador da verdadeira civilização e negou aos colonizados uma identidade e civilizações próprias”. Debruça-se sobre a questão da filosofia em África, onde existem vários filósofos com obras publicadas e diversas correntes de pensamento.

 

O autor faz a análise da etnofilosofia, apoiando-se em parte na crítica do filósofo camaronês  Paulin Hountondji à obra de Tempels, “Philosophie Bantoue”. Desfilam perante nós os grandes nomes de filósofos africanos que, actualmente, produzem pensamento, obras e conhecimento em várias universidades de África e do mundo.

 

Adelino Torres faz, depois, uma incursão no tema desenvolvimento económico, defendendo que este não se consegue sem uma ética que o enforme, de modo que sirva a todos e não seja instrumento de profundas desigualdades e pobreza para a generalidade das populações. O trabalho dos filósofos africanos, segundo o autor, é fundamental para a formação ética das elites e para a realização do desenvolvimento sustentado em África.

 

Este livro de Adelino Torres, que tanto nos faz reflectir, contém vasta bibliografia que muito pode ajudar a quem quiser aprofundar os temas que trata.

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