Foram precisos 17 anos…

Foram precisos 17 anos e uma “reforma” – a que eu designei de perestroika angolana e que muitos a “adoptaram” sem designar a fonte – lourentina, para que a família do Dr. Jonas Malheiro Savimbi recebesse o corpo deste.

Mas antes, o fantasma, como Sérgio Piçarra, muito sarcasticamente nos oferece na edição de hoje do semanário Novo Jornal, foram criados, inexplicável e inoportunamente. inúmeros estorvos à entrega dos restos mortais à família e ao partido que fundou, a UNITA.

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Obstáculos incompreensíveis depois do Presidente João Lourenço já ter empenhado a sua palavra na entrega dos referidos restos mortais de Savimbi, logo que fossem confirmadas as análises ao ADN, e definido o local de entrega dos mesmos.

Obstruções criadas, segundo afirmam em textos, pela mesma pessoa que, então governador provincial do Zaire, nada terá feito para ajudar que Holden Roberto fosse enterrado em Mbanza Kongo, onde a família o desejava fazer; e. isto, já depois da então cúpula do MPLA ter impedido que o mesmo fosse enterrado em Luanda, no Cemitério do Alto das Cruzes, com as honras nacionais que eram devidas a um dos líderes do Nacionalismo Angolano (ao contrário de outros que, eram, só, nacionalistas…).

O poder do vencedor parece continuar a não ter limites.

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Mesmo que o seu líder se proponha a tornar fácil e humanitário reconhecendo, por certo, que antes de ser um antigo inimigo, Savimbi é um Angolano e um homem, dentro do MPLA há ainda que considere que a Paz só se consegue desde que este determine a vida política, económica e social do País.

Como refere Ismael Mateus, num artigo de opinião, hoje no Novo Jornal, talvez tenha havido alguma precipitação e ingenuidade por parte do MPLA, no acolhimento das palavras do Presidente João Lourenço.

Na ânsia de resolverem este dossiê que já perdurava desde a morte – a morte… – em Lucusse, Moxico, que o MPLA queria se livrar deste dossiê incómodo e, como refere Mateus, terá pensado – será? – que a UNITA nunca iria aproveitar, politicamente – e em vésperas de actos eleitorais autárquicos, sublinho eu – da exumação e exéquias do corpo do Dr. Jonas Savimbi.

Ao perceber que isso não seria assim, alguém, por certo ainda sob o espectro do “inimigo”, criou obstáculos absurdos e colocou em causa a promessa do Presidente João Lourenço e do que tinha sido acordado entre as duas comissões que trataram do processo de exumação dos restos mortais do Dr. Jonas Savimbi: em vez de serem entregues no Cuíto, transladaram-no para Andulo. Erro de comunicação? Talvez…

E, talvez por isso, o que sempre defendi, a criação de uma Comissão de Verdade, de Paz e Reconciliação, pareça ser algo que alguém persiste em não querer que isso seja uma realidade. Em todos os quadrantes, todos, sem excepção, tiveram os seus mambos e todos têm culpas, não há mais ou menos culpado.

Os restos mortais, segundo Durão Sakaíta, um dos filhos mais velhos de Savimbi, à agência portuguesa Lusa, e citada pelo Jornal Folha 8, já foram entregues, esta tarde, à família para que o Dr. Jonas Savimbi possa, finalmente, estar em Paz, junto dos seus.

Uma nota, na TPA Internacional, nada televi; ou entrei tarde, ou não foram emitidas imagens, que, presumo, serão no Telejornal das 20 horas, dado que o Presidente João Lourenço, que está em Kinshasa para as exéquias fúnebres do antigo primeiro-ministro congolês democrático, Étienne Tshisekedi, ter assegurado que estaria uma delegação governamental em Andulo.

Ou, então, e muito naturalmente, a TPA Internacional, em serviço público, transmitirá as exéquias fúnebres do Dr. Jonas Savimbi, em Lopitanga, onde descansará eternamente…

É que tal como Agostinho Neto ou Holden Roberto, quer se goste ou não, faz parte da tríade Nacionalista que lutou por Angola. Cada um à sua maneira, cada um com as suas armas e ideologias, mas todos por uma Angola livre, justa e independente

Livre e independentes, somos, totalmente, na Globalização isso é uma utopia. Mas não é utopia que queiramos uma Angola justa e solidária com todos os seus filhos.

Só assim haverá Paz, Justiça e Reconciliação…

* Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) e investigação para Pós-Doutorado pela Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto**

** Todos os textos por mim escritos só me responsabilizam a mim e não às entidades a que estou agregado.

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