Governo de Cabo Verde assume erros, mas divide responsabilidades com trabalhadores do Karamboa

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Primeiro-ministro assumiu esta quarta-feira à tarde, em conferência de imprensa, que “o Governo cometeu erros” na gestão do processo dos trabalhadores do hotel Karamboa, mas não deixou de responsabilizar os funcionários do hotel. “Confiança, solidariedade e responsabilidade é o que é exigido todos neste momento”, disse o primeiro-ministro.

O que aconteceu na Boa Vista é o exemplo daquilo que não pode acontecer. O governo assume as falhas cometidas, apesar de ter cumprido os protocolos exigidos

No entanto, depois de assumir as falhas, Ulisses Correia e Silva não deixou de partilhar responsabilidades com os trabalhadores do hotel Karamboa, que estavam em quarentena há 25 dias. “Sob que tipo de pretexto for, é de uma grande irresponsabilidade promover, estimular e incitar trabalhadores em quarentena à rebelião e ao motim face às forças de segurança; assim como foi de uma grande irresponsabilidade o não cumprimento das regras de confinamento nos quartos e as regras de distanciamento. E, é de uma irresponsabilidade ainda maior, o não cumprimento rigoroso do isolamento em casa depois da saída do hotel. Como resultado, regista-se pelo menos 45 casos positivos. Desejo boa recuperação aos doentes”, disse.

Para o primeiro-ministro, o surgimento de 45 casos de infecção por coronavírus entre os trabalhadores daquela unidade hoteleira “é uma dura lição para o Governo” que se vê agora obrigado a “endurecer a aplicação das medidas para obrigar o isolamento durante o estado de emergência”, prometendo uma vigilância permanente da aplicação da quarentena e o reforço das “acções de fiscalização marítima e em terra para evitar que qualquer embarcação viole as regras de impedimento de transporte de passageiros”.

Sem direito a perguntas por parte dos jornalistas ao primeiro-ministro, coube ao ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, e ao ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, a responsabilidade de esclarecer a situação vivida na ilha da Boa Vista.

Questionado sobre quem teria dado autorização à saída das pessoas daquela unidade hoteleira, Arlindo do Rosário justificou a saída dos trabalhadores, dizendo que  “houve transmissões em directo que mostravam uma situação tensa, extremamente tensa, que fez o Governo ponderar sobre os riscos que estávamos a correr, não só em termos de saúde pública, mas também em termos de um motim que estava, claramente, a ser esboçado e que poderia desencadear uma situação muito mais grave”. 

Já o ministro da Administração Interna, perante a insistência da comunicação social, explicou que “foi uma decisão do Governo”, que permitiu a saída dos trabalhadores da unidade hoteleira onde estavam em quarentena. “E é nesse dia, em que houve recusa em submeter aos testes e houve esta situação de revolta, que se tomou a decisão”. 

“Nós temos de perceber que a responsabilidade em relação à infecção e ao problema da covid-19 é de todos. Não é apenas da polícia”, acrescentou Paulo Rocha. Por isso, defendeu o ministro da Administração Interna sobre a não utilização da força para fazer cumprir a lei , que “confrontar a polícia ou as forças armadas numa situação em que os cidadãos podem vir a ser atingidos, pode levar a que as autoridades se ponham numa situação tão difícil que, para o bem da própria pessoa, obriga a que se faça uma ponderação e que o uso da força seja feito com equilíbrio e proporcionalidade”. 

Arlindo do Rosário explicou ainda que os trabalhadores deviam ter “ficado a aguardar os resultados em casa. Assinaram um termo de compromisso para fazer isso em casa”.

O ministro da saúde rejeitou ainda a ideia de generalização da doença na ilha. “Este é o cenário em relação a um espaço específico que é o hotel. Nos próximos tempos iremos acompanhar para ver a real situação de epidemia em toda a ilha”, explicou garantindo que o governo está a aumentar a sua capacidade de resposta “de isolar o que tem de ser isolado, de por em quarentena quem precisar de ser posto, alargar o número de testes. Estamos a fazer o que deve ser feito”.

Com o aumento de casos registados na Boa Vista, Cabo Verde tem agora 55 casos de covid-19 e uma morte, o que coloca o país como o mais afectado entre os PALOP. Guiné Bissau tem 43 casos, Moçambique, 29 casos, Angola 19 casos e duas mortes. Já São Tomé e Príncipe, o último país africano de língua portuguesa a detectar a doença no seu território, regista quatro casos confirmados.

Fonte: Expresso das Ilhas

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