Governo preocupado com ameaças em Angola após caso do Bairro da Jamaica

O Governo angolano apelou esta sexta-feira à população a abster-se de participar em qualquer iniciativa que coloque em causa a ordem e tranquilidade públicas , na sequência dos acontecimentos registados recentemente em Portugal, com cidadãos angolanos, no Bairro da Jamaica.

Num comunicado, o Ministério do Interior relaciona o apelo com o facto de estar a “acompanhar, com alguma preocupação”, diversos “pronunciamentos de vários cidadãos nacionais e estrangeiros” após os desacatos naquele bairro do Seixal.

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“Considerando que alguns destes pronunciamentos incitam e instigam a desordem e a violência, o que é punível pela lei penal angolana, o Ministério do Interior apela à população a abster-se de participar em quaisquer iniciativas que possam colocar em causa a ordem e a tranquilidade públicas, a integridade física dos cidadãos nacionais ou estrangeiros, bem como a propriedade privada, tornando público que os seus órgãos não permitirão que a ordem social seja subvertida”, lê-se no documento.

No comunicado, o Ministério do Interior aconselha todos os cidadãos a aguardarem “com serenidade” os resultados do inquérito mandado instaurar pelas autoridades portuguesas e adianta que as estruturas competentes do Governo estão a acompanhar a questão.

Desde o incidente registado naquele bairro, a 20 de Janeiro, as redes sociais em Angola têm incitado a acções de retaliação contra cidadãos portugueses que residem no país.

A contestação nas redes sociais, em que os portugueses são acusados de “racismo” e de “xenofobia”, tem gerado uma série de ideias, desde manifestação diante da Embaixada de Portugal em Angola e no Consulado de Portugal em Benguela, à exigência ao Estado angolano que proceda ao levantamento do número de cidadãos lusos em Angola, para expulsar os ilegais.

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Numa das mensagens nas redes sociais, um grupo de cidadãos subscreve estas e outras ideias, garantindo que se o Governo angolano não se pronunciar até à próxima quarta-feira, irá desencadear as acções propostas.

Na quinta-feira, o secretário de Estado para a Cooperação Internacional e Comunidades Angolanas do Ministério das Relações Exteriores, Domingos Vieira Lopes, disse que o assunto está a ser tratado pelo Consulado em Lisboa e a Embaixada de Angola em Portugal, que juntamente com as autoridades portuguesas estão a avaliar a situação e apurar responsabilidades.

“Até lá vamos aguardar e vamos ter serenidade, para que depois do levantamento que a polícia está a fazer se emitir um comunicado final”, disse Domingo Vieira Lopes à margem de uma reunião da Assembleia Nacional.

O governante angolano referiu que foi já emitido um comunicado principalmente dirigido à comunidade angolana.

“Para que respeitem a lei do país de acolhimento e que não se envolvam em situações menos boas. O que ocorreu no domingo foi lamentável, mas estamos a tratar isso em fórum próprio”, salientou.

Fonte: Lusa

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