Grupo Quantum Global afastado da gestão do Fundo Soberano de Angola

O grupo Quantum Global informou hoje que foi afastado da gestão da carteira de alguns investimentos do Fundo Soberano de Angola (FSDEA), por decisão do novo conselho de administração, liderado desde janeiro por Carlos Alberto Lopes.

Em comunicado enviado à Lusa, a Quantum Global, liderada pelo suíço-angolano Jean-Claude Bastos de Morais, refere que as razões que levaram à rescisão do contrato – celebrado com a anterior administração do FSDEA, presidida então por José Filomeno dos Santos, filho do ex-chefe de Estado angolano -, não estão relacionadas com o desempenho da carteira de investimentos, “que aumentou em valor e gerou retornos fortes”.

“Devido às mudanças de prioridades em Angola, em fevereiro de 2018, a recém-nomeada administração do FSDEA notificou a Quantum Global Investment Management Ltd, o seu propósito de cancelar o mandato de classe de ativos múltiplos”, refere ainda o comunicado.

A 10 de janeiro, o Presidente da República, João Lourenço, exonerou José Filomeno dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração do FSDEA, que assume ativos do Estado angolano de mais de 5.000 milhões de dólares, dos quais mais de metade geridos diretamente pela Quantum Global.

Face “ao cancelamento do contrato”, a empresa suíça Quantum Global – que não quantifica o volume dos mesmos – sublinha que “já não administra mais os fundos do FSDEA”, mas que “está orgulhosa do trabalho que desenvolveu” durante o “mandato de classe de ativos múltiplos”.

Esclarece contudo que os mandatos de ‘private equity’ da Quantum Global são gerenciados pelas suas operações baseadas nas Ilhas Maurício “e continuam em vigor”.

“A Quantum Global orgulha-se do desempenho que está a realizar nos seus mandatos de ‘private equity’ em representação do FSDEA, cujos resultados são divulgados publicamente pelo Fundo nas suas demonstrações financeiras auditadas. Esses fundos são gerenciados de acordo com os padrões estritos de relatório do IFRS”.

A Quantum Global queixou-se na quinta-feira da decisão das autoridades financeiras das Ilhas Maurícias, de congelaram sete fundos geridos pela empresa para o FSADEA, alegando não ter tido oportunidade de se defender.

Em comunicado, aquela empresa informou que pediu formalmente à Comissão de Serviços Financeiros (FSC) das Ilhas Maurícias para que “apresente uma explicação clara da sua decisão em suspender as licenças da empresa na semana passada, e que permita à companhia ter uma audição justa”.

A FSC refere ter suspendido as licenças a 08 de abril, com base numa ordem de restrição emitida pelo Supremo Tribunal das Maurícias, e deu sete dias à Quantum Global “para fazer uma representação por escrito”. Contudo, diz a empresa, “o regulador não forneceu quaisquer detalhes sobre a causa subjacente para a ordem de restrição ou para a suspensão da licença”.

As autoridades financeiras das Ilhas Maurícias anunciaram a 09 de abril o congelamento de sete fundos geridos pela empresa de Jean-Claude Bastos de Morais, após uma reunião do primeiro-ministro com um representante do Governo de Angola.

Os sete fundos cujas contas foram congeladas estavam em três bancos e eram propriedade da Quantum Global Group, que está a gerir 3.000 milhões de dólares do FSDEA.

O congelamento dos fundos acontece depois de um representante do Governo angolano se ter reunido com o primeiro-ministro, Pravind Jugnauth, a 03 de abril, de acordo com a imprensa local.

Nesse mesmo dia, partiu de Luanda, com destino à capital das Ilhas Maurícias, Port-Louis, de acordo com informação a que a Lusa teve acesso, o ministro das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, em visita de trabalho.

A agência de noticiário financeiro Bloomberg deu conta de que a comissão cobrada por Bastos de Morais para gerir os três mil milhões de dólares do Fundo Soberano estava entre os 60 a 70 milhões por ano.

As ligações entre o antigo presidente do FSDEA e o gestor com nacionalidade suíça e angolana têm sido alvo de críticas por parte da oposição e de várias organizações que questionam os montantes envolvidos e a aplicação das verbas sob gestão da Quantum Global.

“É difícil defendermo-nos contra ações das autoridades quando as razões não são apresentadas claramente, apesar das nossas repetidas tentativas de receber esta informação”, refere, citado no comunicado de quinta-feira, Jean-Claude Bastos de Morais, fundador e presidente do conselho de administração da Quantum Global.

Acrescenta que na situação atual, nomeadamente “a pressa” em “sancionar” a empresa, a Quantum Global “tem visto os seus negócios serem seriamente prejudicados”, com “impacto real nos nossos empregados, clientes, parceiros e nos importantes projetos de desenvolvimento que estamos a gerir em Angola e África”.

Fonte: Lusa

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