Homenagem a um recanto de sonho

O Polígono Florestal ali para os lados de Matári-ia-Jinga, tinha um fulgor e mistério natural. O arvoredo, solidão, sombra, quietude, que a luz do dia irradiava atracção e alegria, pelas coisa simples e boas da vida.

Tinha coisa bem formosas, harmoniosas, que foram orientadas e disciplinadas pela vontade do homem. Tinha também uma nascente, um fio de água que surgiu em silêncio e de mansinho, seu caminho prosseguiu.

Ao longo dos anos, ninguém lhe deu atenção ou se lembrou de o aproveitar, o capim bravo foi crescendo naqueles lodos de águas espalhadas.

Mas um dia…

Alguém olhou a paisagem e pensou que ali podia dar-se toque de magia e alegria, erguendo sóbria barragem. Logo apareceram as vozes discordantes e outra que se limitaram ao amém…

Mas, a coisa ficou tão boa, tão cheia de graça e vida, que deu lugar a uma lagoa airosa, a convidar ao descanso em tardes mais quentes e, todos os que por lá iam, tinham barcos para passearem, peixe para pescarem, e bons mergulhos para darem.

Este Polígono Florestal, tinha recantos belos e discretos, onde se podia almoçar em pic-nic, dormir uma boa soneca à sombra do arvoredo, mais não digo, não faz parte da crónica…Ah….Ah….

Para aqueles que se davam ao trabalho de querem saber o quanto por ali se fazia e estava feito, bastava andar e percorrer as plantações, começando pelos viveiros, apreciando os sucessos dos pinheiros, eucaliptos, grevilias, dungas,, palmas e ciprestes. Noutra parte dos frutos, outra beleza altaneira se irradiava de limoeiros, nespereiras, figueiras, bananeiras, macieiras à laranja de Setúbal ou da Baia.

E também os viveiros de  imensas Tílapias, que nos vinham comer a mão !!

Como digo, era só olhar para o insaciável mar do que por ali se manifestava, enchendo os nossos olhos de verdadeiro encanto e os pulmões de ar muito puro, e os feixes de luz e sombras que o sol em quebrando nos ia proporcionando e estasíando com momentos de paz e meditação.

Que dias alegres, divertidos e pleno repouso e encanto excepcional por ali passávamos.

Nunca mais ouvirei estas palavras – não te esqueças, este sábado no Polígono Florestal de Matári-ia-Jinga.

Nota: dedico esta homenagem ao Polígono Florestal, porque ele já naõ existe. Nos tempos conturbados da guerra, todo ele foi consumido, para combustivel, as populações não tinham  outros meios. Vinte e poucos Km desta mata, desapareceram num relâmpago.

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