Investimento angolano de 13 milhões de euros surpreende Câmara da Póvoa de Varzim

A Câmara da Póvoa de Varzim recebeu uma carta de uma empresa angolana a pedir celeridade no despacho de “processos pendentes” relativos aos terrenos do Clube Desportivo da Póvoa (CDP).

A PeC -Projectos, Consultadoria e Investimentos diz ter um contrato com o clube para compra dos terrenos à beira-mar, onde pretende edificar um projecto imobiliário avaliado em 13 milhões de euros. Aires Pereira, presidente da autarquia , diz-se “surpreendido” e recusa receber quem “não tem legitimidade” para discutir o assunto.

publicidade

Faça já a sua assinatura: formulário de assinatura
Contactos editoriais: jornalkandandu@gmail.com

Publicidade: vivenviaspress@gmail.com

Na carta, a empresa diz que assinou com o CDP um contrato para “promover uma operação imobiliária” nos terrenos do clube. O director-geral António de Castro Vide garante já ter “potenciais investidores”, pede “o superior empenhamento no despacho de processos pendentes”. A empresa angolana detalha a intenção de construir no local “habitações, lojas e uma unidade hoteleira”, pedindo ao autarca uma audiência “para que haja um conhecimento pessoal das pessoas envolvidas neste processo”

O presidente da Câmara diz “não ter conhecimento da existência de um contrato entre a CDP e a empresa” e “estranha” a missiva, vinda de alguém que diz representar o clube, mas cujo contrato “não é do conhecimento público, nem dos sócios”. Aires Pereira enviou resposta à PeC, reafirmando que qualquer abordagem sobre essa matéria deve ser feita “pelo clube” e garante que “não há processos pendentes”.

“A empresa em causa não apresenta nenhum documento que legitime a sua intervenção neste negócio que terá feito com o CDP. Espero que este assunto seja esclarecido, pois o CDP é uma instituição respeitada e com quem a Câmara tem um relacionamento institucional há muitos anos”, completou Aires Pereira.

“É recebido assim?”

O presidente do Clube Desportivo da Póvoa, Caldeira Figueiredo não entende : “Vem investir no concelho e é recebido assim? Pedem-lhe legitimidade?”. O presidente do CDP garante que a intenção de avançar com o projecto imobiliário previsto no Plano de Pormenor da zona E54 foi “aprovada pelos sócios” em setembro de 2016.

Caldeira Figueiredo considerou, ainda, que está legitimado pelos associados para avançar com o negócio.

” Informamos os sócios e agimos de acordo com a nossa legitimidade e as capacidades que nos foram passadas pela assembleia. Já consultamos os vários órgãos e existe uma comissão de acompanhamento, que está a par do processo. Não há nenhum caso, a não ser factores externos que queiram aqui criar”, rematou o líder do clube.

O Plano, aprovado em 2009, dá aos terrenos do Varzim e do Desportivo um bónus de construção. Os dois clubes venderiam os terrenos e mudar-se-iam para o Parque da Cidade. À beira-mar, ficariam apartamentos, um hotel e uma área comercial.

Entretanto, em dezembro de 2016, a Câmara anunciou que ia avançar com as obras de urbanização que lhe competiam. Volvidos um ano, diz o CDP, “ainda não estão prontas”. Aires Pereira quer rever o E54. O Varzim desistiu de sair da beira-mar. O Desportivo quer avançar e acusa a Câmara de “estar a empatar”.

O Varzim, que foi primeiro a pensar nessa solução de transferir o seu estádio para o Parque da Cidade, acabou por desistir deste processo, levando a autarquia poveira a mostrar interesse em reabrir a discussão e reavaliar as possibilidades urbanísticas para aquela área.

Fontes : Jornal de Notícias, Sapo 24.

Deixe o seu comentário