João Lourenço vai enviar delegação para entregar restos mortais de Jonas Savimbi

O encontro de ontem entre o Presidente da República, João Lourenço, e o líder da oposição, Isaías Samakuva, acabou com uma decisão que permite à UNITA poder enterrar amanhã, 1 de Junho, como previsto, os restos mortais do seu fundador, Jonas Savimbi.

Segundo disse ao PÚBLICO Adalberto da Costa Júnior, chefe da bancada parlamentar do Galo Negro na Assembleia Nacional, o Governo vai enviar hoje de Luanda uma delegação que procederá à entrega formal no Andulo da urna com as ossadas do líder histórico da UNITA que. 17 anos depois, vai finalmente ser sepultado no cemitério da família na aldeia do Lopitanga, junto ao Andulo, na província do Bié.

A entrega formal da urna deverá ser feita ainda hoje de manhã à comissão nacional das exéquias liderada pelo deputado Ernesto Mulato, vice-presidente da UNITA, é composta pelos três filhos do fundador do partido, Rafael Massanga Savimbi, Durão Savimbi e Kangajo Savimbi e um sobrinho, Maurílio Luiele.

Adalberto da Costa Júnior acrescentou que estava marcada para a noite de ontem uma vigília no Andulo, com a cerimónia de deposição dos restos mortais de Jonas Savimbi a realizar-se amanhã de manhã, no cemitério da família.

Há várias delegações estrangeiras que já confirmaram a sua presença, algumas delas até já chegaram ao Andulo, entre elas está uma delegação portuguesa, que inclui o ex-ministro da Cultura e amigo de Jonas Savimbi, João Soares. Mas, segundo Ernesto Mulato, estarão presentes representantes de França, Bélgica, Alemanha, Holanda, Suécia, Estados Unidos e Espanha.

A intervenção de João Lourenço no processo veio depois de receber na quarta-feira uma carta urgente do líder da UNITA. O chefe de Estado mandou um avião ao Huambo para trazer Isaías Samakuva e a sua comitiva a Luanda para uma audiência.

Adalberto da Costa Júnior referiu ao PÚBLICO que o Presidente João Lourenço terá agido ao ver “os danos à sua reputação e à sua própria imagem” provocados pelas acções do seu representante nas exéquias, o general Pedro Sebastião, ministro de Estado e chefe da sua Casa de Segurança.

“Depois de termos acompanhado as versões do chefe da Casa de Segurança que deixaram toda a gente escandalizada no país, fica uma preocupação, porque ninguém acredita que seja uma iniciativa de sua total responsabilidade”, disse o deputado.

Para os dirigentes da UNITA, o ministro de Estado estaria a agir de acordo com a vontade do chefe de Estado angolano, João Lourenço.

Fonte: Público

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