João Soares alerta contra “tentação de matar o pai” referindo-se a José Eduardo dos Santos

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“O que acredito é que haja vontade de reconciliação e espero que isto não se faça por um processo shakespeariano, não vão fazer um ‘Hamlet’ de matar o pai, em relação a José Eduardo dos Santos, e à família”, disse João Soares em declarações à agência Lusa em Angola, onde participou nas exéquias fúnebres de Jonas Savimbi, quando questionado sobre o impacto da cerimónia.

“Agora, tranquilidade, paz e reconciliação nacional”, defendeu o deputado socialista, enaltecendo as qualidades humanas e políticas de Jonas Savimbi.

“Foi um homem de uma grandeza sem par no palco angolano”, disse, acrescentando que um dos factores que o diferenciou foi ter estado sempre em Angola: “Esteve, no essencial do tempo, sempre no interior de Angola”, afirmou.

Sobre as críticas ao líder histórico da UNITA, João Soares afirmou:

“Há aspectos menos positivos no seu percurso e algumas mortes foram lamentáveis, mas isso não me impede de reconhecer aquilo que é a grandeza ímpar de um homem que deu a sua vida por aquilo em que acreditava, com uma coragem absolutamente indiscutível, inteligente, e que sabia bem o final que ia ter”.

Para João Soares, “há poucos dirigentes em África e no mundo, depois de morrerem em combate há 17 anos, que seriam capazes, pela simples evocação da sua memória, de ter uma mobilização com este entusiasmo”.

Jonas Savimbi foi morto em combate em 22 de Fevereiro de 2002, tendo sido sepultado no cemitério do Luena, no Moxico, mas sob a alçada do Governo angolano, cujo Presidente, João Lourenço acedeu, em 2018, ao pedido do actual líder da UNITA, Isaías Samakuva, para se proceder à exumação do corpo, processo que culminou sexta-feira no Andulo, com a entrega formal dos restos mortais à respectiva família, para que hoje , em Lopitanga, se concretizasse o funeral.

Fonte: Lusa

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