Jornal de Angola saúda visita de António Costa e diz que acabou o “divórcio temporário”

Em editorial, o Jornal de Angola sublinha o fim do “divórcio temporário” entre Portugal e Angola e diz que caso de Manuel Vicente faz parte do “passado”.

O Jornal de Angola, que por norma reflete a opinião do governo angolano, publicou um editorial esta terça-feira, dia em que António Costa se encontra com João Lourenço em Luanda, onde sublinhou a “normalização das relações políticas” depois do episódio judicial “irritante”.

“A normalização das relações políticas representam uma espécie de ‘alfa e ómega’ para que se estruture e se fortaleçam os demais vínculos”, escreve o Jornal de Angola num editorial não assinado.

No artigo, há espaço para uma referência ao caso de Manuel Vicente, cuja constituição como arguido resultou naquilo a que o Jornal de Angola descreve como um “divórcio temporário”. Dando esse episódio como terminado, depois de em maio deste ano o Tribunal da Relação ter decidido enviar o caso do ex-vice-Presidente Manuel Vicente, arguido por corrupção ativa, para Angola, o Jornal de Angola chega mesmo a utilizar uma expressão frequentemente utilizada por António Costa para referir este caso.

“Isto é bom para Angola, tanto quanto para Portugal, sendo igualmente importante reter o facto de a gestão do que as autoridades lusas consideravam como ‘irritante’ ter sido feita sem o agravamento das relações bilaterais”, disse. “Para o passado, ficam assim situações que melhor poderão ser remetidas a historiadores, pesquisadores e estudantes.”

Ainda assim, são dados alguns recados e colocadas expectativas de resultados concretos desta cimeira luso-angolana. O Jornal de Angola escreve que “é expectativa generalizada de que, além dos apelos habituais para a compreensão e  respeito mútuos, os acordos que venham a ser assinados sirvam, efetivamente, para fazer avançar a agenda dos dois Estados na base das vantagens recíprocas”.

Para isso, refere que “Angola não pode transformar-se apenas numa espécie de plataforma para viabilizar as exportações de bens e serviços dos seus parceiros”.

“É oportuna a assinatura de acordos que venham incidir na inviabilização da evasão fiscal, que contribuam para o combate contra a corrupção, entre outros como deverá suceder, em princípio, com a rubrica do compromisso para evitar a dupla tributação”, concretiza o editorial do Jornal de Angola.

Fonte: Observador

 

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